VENHA JOGAR BUZIOS

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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

sabe o que é ori?

“Ko sí Òòsà tí i dá´ni gbè léhìn Orí eni”
“Nenhum Orixá abençoa uma pessoa antes de seu Orí”
Este oriki (verso sagrado) não deixa dúvida sobre a suprema importância desta divindade pessoal, inclusive, acima dos outros Orixás! Orí, porém, continua sendo um enigma no conhecimento popular do culto. Traduzindo da Língua Iorubana, Orí significa cabeça, entretanto quando se busca aprofundar algo mais, os devotos hesitam, titubeiam, emudecem…
Se Orí é a mais importante de todas as divindades, porque este desconhecimento? Principalmente de uma divindade que reside justamente dentro de nós? Porque, de todos os Orixás, Orí é o mais misterioso? Para responder a esta questão temos de voltar às origens do nosso culto na África.
No continente africano o culto, assim como no Candomblé, é iniciático e hermético.
Portanto os segredos, fundamentos e a sabedoria do culto está para apenas ser desvelado por seus iniciados ao decorrer de sua carreira religiosa e/ou sacerdotal.
Desta forma, os segredos mais profundos e sérios do culto ficavam restritos aos mais altos sacerdotes. Permitindo ao público e aos mais novos iniciados apenas pequenas centelhas desta sabedoria.
Para se atingir os mais profundos conhecimentos e sabedoria eram necessários muitos anos de profunda dedicação e disponibilidade de transcender sempre os próprios limites.
Contudo, atualmente, vive-se na cultura das árvores impacientes que se dedicam a crescer tão apressadamente em detrimento do aprofundamento de suas raízes, e assim, estes profundos conhecimentos foram ficando restritos a um número cada vez menor de sacerdotes. Isto explica o desconhecimento geral deste supremo Orixá! Que é o ponto central do culto afro e afro-brasileiro! Dele depende a nossa existência, nosso sucesso, fracasso, saúde, doença, riqueza, pobreza, plenitude, felicidade. Sem a aprovação de Orí nenhum Orixá pode fazer nada pelo seu devoto. Por isso, para nós, Orí é o Orixá mais importante! É o único que nos acompanha na viagem dos mares sem retorno, como descrito no Itan de Ògúndá Méjì.

VOLTANDO ÀS ORIGENS
No princípio dos tempos da Criação, Oduduwa havia criado a Terra, Oxalá havia criado o homem, seus braços, pernas, seu corpo, Olórúm lhe insuflou o èmí (respiração divina), a vida. Mas Oxalá havia se esquecido da cabeça. Oxalá não fez a cabeça do homem… Então Olórúm pediu a Àjàlà, (o oleiro divino), para confeccioná-la. Àjàlà quando foi confeccionar Orí, pediu a ajuda de Odú, e assim todos os Odús ajudaram a Àjàlà a confeccionar Orí. E assim nasceu Orí. Orí é composto da matéria divina dos Odús, misturados em quantidade e organizados segundo a sabedoria de Àjàlà a pedido de Olórúm. Do material (òkè ìpònrí) que Àjàlà utiliza para confeccionar Orí, se constitui èwò (tabu) para quem possuir esse Orí. E assim se determina as interdições alimentares dos indivíduos, pois, comer do próprio material de que foi constituído, caracteriza ofensa séria à matriz da qual foi criado.
Todo o homem quando vai para o Aiyé, invariavelmente, deve passar na oficina de Àjàlà e escolher o seu Orí. Esta escolha se chama Kàdárà, oportunidade e circunstância, e ao fazê-la, está determinando sua natureza e destino. Este momento ocorre da seguinte forma: A alma se ajoelha (posiçao fetal) diante dos pés de Olórúm (O Criador) e entao lhe faz um pedido – Àkùnlé yàn – pedido esse que estará relacionando ao seu desejo de crescimento moral e espiritual. Entao Olórúm lhe fixa o destino – Àyàn mó Ipín - que Orí deverá seguir, em que geralmente atende aos desejos do próprio Olórúm e às necessidades das restituições que Orí deve cumprir. E então recebe – Àkùn légbà – as circunstâncias que possibilitarão os acontecimentos, geralmente ligado às questões de tempo/espaço, meio e todo o entorno necessário ao melhor cumprimento do destino. Neste momento a alma recebe os seus èwós (tabus), interdições alimentares, de vestuário, de ação, etc. Afirma compromisso com o seu ancestral e tutor espiritual (Orixá). Afirma compromisso com o Bàbá Egún (Pai espírito) responsável pelo ìpònrí ancestral terreno que formou o seu corpo material, e que zela pelo desenvolvimento da família a que Orí fará parte. Todos os contratos são firmados e/ou reafirmados diante de Olórúm e de Orúnmilá, e à medida que o são o destino se lhe vai fixando. Entao Orí se dirige a Àkàsò (a fronteira entre Orúm-plano espiritual, e Aiyé-plano físico) e pede passagem à Oníbodè (o porteiro), que lhe interrogará, o que fará no Aiyé, Orí lhe contará e mais uma vez se fixará nele o seu destino.
ORÍ – A FISIOLOGIA DIVINA
Orí entao descerá e ocupará o seu lugar no Orí do corpo criado, através da chamada “moleira”, abertura no crânio do bebê que irá se fechando conforme se desenvolve ao longo dos anos, onde se dá a “armadilha para Orí”, uma vez encerrado lá, Orí somente voltará a se libertar do corpo na última expiração, pela boca. A princípio Orí assentar-se-á no cérebro (Opolo) daquele corpo, onde comandará Orí Òde (cabeça externa).
ORÍ ÒDÉ
A cabeça externa caracteriza-se pela cabeça física (crânio, cérebro,
sistema nervoso central, olhos, ouvidos, etc) e também pela personalidade e intelecto que resultará da interação daquele corpo com Orí Innú (cabeça interna), a cultura local onde se desenvolverá o indivíduo, e o aprendizado que receberá desde o seu nascimento. Ou seja, Orí Òde é, além da cabeça física, a nossa pessoa como nós a conhecemos e como os outros a conhecem. É o mecanismo criado por Orí Innú para lidar com o mundo exterior. Orí Òde é o nosso “eu exterior”.
ORÍ INNÚ
A cabeça interna, é a nossa personalidade divina, ou nosso “eu verdadeiro”, ou nosso “eu supremo ou superior”. Em resumo, nossa alma. Abaixo de Orí Innú reside Elénìnìí (o opositor de Orí), no cerebelo (ipakó), responsável pelo esquecimento de Orí de sua missão, aquele que o vem atrapalhar a realizar, cumprir sua missão para com Olórúm e a Criação, conforme descrito no Itan do Odú Irosún Méjì. Êste, constitui o último nó para a transcendência de Orí Innú, e o cumprimento de sua missão original. Ainda existe Ipín Jeun (o estômago), e Obo Ati Oko (os órgãos sexuais), que são os outros nós que Orí Innú deve superar: medo, desejo, ambição, vaidade, ciúme, ira, egoísmo, etc…
ORÍN INNÚ AINDA SE DIVIDE EM:
1- Orí Aperé - o caminho predestinado, fenômeno narrado acima. O destino do indivíduo vem escrito em sua cabeça. “sua cabeça, sua sentença!”
2- Aparí Innú - o caráter (Iwà), a personalidade divina. Que é a essência de Orí Innú, a alma, e sua missão original. É através do desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, honesto, puro, bom) que Orí chegará à sua transcendência última! Enfim, como descreve o Odú Ogbè-Ègùndá: “Ìwà nikàn l´ó sòro o”
“Caráter é tudo o que se precisa”.
Ìwà Pèlé (caráter reto) é o que conduzirá Orí Innú até o Òrun Rere (plano espiritual dos Orixás), em caráter definitivo.
Assim sabemos que nossa divindade pessoal é Orí Innú (cabeça interna-alma), responsável pelo nosso destino e felicidade. Que o nosso Orixá (orí-o primeiro) é o tutor espiritual de nosso Orí Innú, mas que só poderá ajudar-nos se Orí o permitir. Que em nosso Orí Innú reside o nosso Odú (destino) e somente através de Orí e Odú podemos transmutar o nosso destino, e assegurar o cumprimento da missão confiada por Olodumaré. Que devemos nos resguardar de Elénìnìí, o inimigo de nossa missão e alma, aquele que pode nos trazer sofrimentos. E que nossa verdadeira essência, que devemos buscar, reside em Orí Innú (cabeça interna-alma) e não em nosso Orí Òde (cabeça externa-personalidade) que é tão somente o veículo de Orí Innú aqui no Aiyé. E, o mais importante: a missão maior de Orí Innú, à qual cabe ao nosso Orixá ajudar-nos, é o desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, bom), nosso passaporte para o encontro definitivo com Olórun!!
Orí o!!
Ire o!
(fonte) ACAD - ASSOCIAÇÃO CULTURAL AFRO DESCENDENTE-BABALORISA PAULO ROBERTO

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

OFERENDAS PARA EXU

OFERENDAS A EXÚ




- Para limpeza da casa.

Pega-se um coco seco, pinta-se todo com uáji, rola-se pela casa de dentro para fora impulsionando-o com o pé
esquerdo, como se fosse uma bola. Quando chegar na porta da rua, pega-se o coco com a mão esquerda, leva-se à
uma encruzilhada aberta de quatro esquinas e ali, atira-se o coco no meio da encruzilhada com força, para que se
quebre.



- Para problemas de infidelidade.


Abre-se um coco seco em duas partes. Dentro dele coloca-se um pedaço de papel de embrulho usado, no qual
se escreveu, anteriormente, o nome da pessoa infiel. Acrescenta-se 3 grãos de pimenta da costa; um pouco de azeite
de dendê; um pouco de mel; milho torrado e pó de peixe defumado. Fecha-se o coco e amarra-se com linha vermelha
e linha branca, enrolando-se bem até que o coco fique totalmente envolvido pela linha. Coloca-se o coco diante de
Exú e durante 21 dias acende-se uma vela diariamente, pedindo que a pessoa permaneça fiel ao seu parceiro. No
vigésimo primeiro dia despacha-se numa encruzilhada. (Quem não tem Exú assentado pode colocar o coco atrás da
porta da casa).


- Para problemas de saúde.


Pinta-se um coco seco com efun e depois unta-se todo com ori-da-costa ou, na falta deste, manteiga de cacau.
Coloca-se o coco num prato branco diante de Exú e acende-se uma vela pedindo-se pela saúde da pessoa enferma.
A vela deve ser substituída todos os dias, à mesma hora, e o pedido reiterado. No sétimo dia, logo que a vela
termine, o coco deve ser levado e despachado na entrada de um cemitério.
- Defesa contra inveja e olho-grande.
Coloca-se um coco seco com uma vela acesa em cima, onde deverá permanecer por três dias consecutivos.
No terceiro dia, despacha-se numa encruzilhada de quatro esquinas.
- Para desenvolvimento econômico.
Abre-se um coco do qual se corta quatro pedaços mais ou menos iguais. Estes quatro pedaços, depois de
bem lavados, são colocados num prato com a parte branca para cima. Sobre cada pedaço de coco coloca-se um
pouquinho de mel de abelhas, um pouquinho de azeite de dendê e um grão de pimenta-da-costa. Coloca-se o prato
diante de Exú, ou atrás da porta e acende-se uma vela de sete dias. No sétimo dia, despacha-se tudo (inclusive o
prato) numa mata.


- Para obter um amor.


Tomar banho de água de rio misturada à água de coco verde durante cinco dias seguidos.
- Para problemas de justiça.
Escreve-se, num papel de embrulho usado, os nomes das pessoas interessadas na questão, dos advogados e
do juiz. Abre-se um coco seco pelo meio e coloca-se dentro o papel com os nomes escritos; milho torrado; 21 grãos.


fonte: lendas de orixás.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A HISTÓRIA DO ORIXÁ JAGUN

Postado por Jagunsi

Jagun Orixá Agbará Esé Egi Iroko

Segundo as lendas e itans, conta-se que Jagun, era Guerreiro dos Exércitos de Obatalá e que foi enviado às Terras de Omolú para lutar pela páz em nome de Oxalá. Por isso, ele é cultuado em algumas nações como “Qualidade de Omolú”, por ter passado vários anos em terras de Omolú. Trata-se de um Orixá Funfun, pois o culto a Jagun nasceu no Ekiti Efon, por esse motivo Jagun é cultuado no Axé Efon como um Orixá separado de Omolú. Antes dele ter ido para as terras de Omolú já existia seu culto no Ekiti, onde era sua terra natal. Assim também conta seus itans que Jagun teve passagem não só nas terras de Omolú, mas também nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Elegibô (Terra de Osayan). Pela ordem do meridilogun, Jagun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odu) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondem outros Guerreiros Brancos como Ogun-Já e Oxaguiã Ajagunãn. Pela ordem de chegada dos odus, o culto a Jagun nasceu no Odu Okaran.

Os filhos de Jágun, tem aparência jovem, são autoritários, arrogantes, guerreiros, justiceiros, briguentos e agitados, fortes na adversidade, costumam fazer tudo à sua maneira, ouvem conselhos dos outros, mas costumam seguir sua própria vontade…São pessoas trabalhadoras, gostam de tudo rápido, exigem asseio, limpeza; são pessoas impulsivas; pessoas de espírito livre; enjoam de tudo facilmente; são dados a paixões violentas e passageiras, são curiosos, adoram viajar. Possuem grande proteção espiritual, boas amizades e, quase sempre, caminhos abertos. Possuem comportamento delicado, são honestas, dedicadas e atenciosas. Vivem com grandes esperanças, estão sempre apaixonadas, são sonhadoras, sofrem e se desdobram para ajudar e defender os amigos. Quando são repudiados ou sofrem algum tipo de traíção podem se tornar extremamente vingativas e amargas. Apesar de serem guerreiras e obstinadas, as pessoas de Jágun, às vezes se isolam preferindo ambientes calmos e tranquilos. A personalidade dos filhos de Jágun é um misto de caracteristicas de Ogun, Omolú e Oxaguiã.

Jágun, é uma palavra Yorubá, e significa: Guerreiro, Soldado.

Jagun é um Orixá ambicioso, luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira…Apesar de ser Orixá Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada na mão e um facão ao adaga e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos,pois conta se um itan que Oxalá o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de branco. Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade, intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de buzios e marfin. Jágun é Orixá Jovem,quase chega ser um menino adolecente de Obatalá .. Ligado a Obatalá (Rei no pano branco ), tem caminhos com Ogun Já, Oxaguiã – Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemanjá e quase todas as Yabás, pois elas acalmam sua fúria.Quem traz Jágun ao barracão é Oxaguiã. Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Oxalufã. Carrega consigo o Odú Ejionilê. Por ser considerado Orixá Funfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce , banha de ori, adin e as vezes mel e de preferencia a banha de Ori, suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obí funfun (claro), come também do Ebô (canjica) de Oxalá, assim como seus bichos também devem ser todos brancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Obatalá ). Jágun dança com outros Orixás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Oxaguiã e Oxalufã. A dança de Jágun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga, seu momento de “êxtase” é quando salta e se sacode todo empunhando a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. Segundo as lendas, a lança prateada de Jágun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. Jagun, assim como Ogun, é um grande caçador, e por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Oxóssi a caçar. Ele nao deixa também de ser um guerreiro, assim é Jagun, um grande guerreiro mas também um grande caçador. E algumas de suas cantigas relatam isso.

Conta o itan de Ogi-Ogbé/Okaran que existiam três irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn. Eram três Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Obatalá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Oxalá e eram os Guardiões deste Orixá. Eram chamados de Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Obatalá. Eram considerados invencíveis, por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos, nunca se separavam. Mas um belo dia, os três irmãos guerreiros, foram guerrear contra a cidade de Oxun. Oxun com a grande sabedoria dos poderes de Ya mi, foi avisada que seu reino seria atacado. Oxun ficou desesperada e foi até Ifá para saber o que faria. Orumila mandou ela fazer um ebó, sacrificar oito Igbis à Oxalá e com o casco fizesse um pó e soprasse nas terras de Osogbo. Assim Oxun fez, quando os guerreiros chegaram para invadirem as terras, eles ficaram tontos e se perderam um do outro. Aí que Jagun foi para as terras de Omolú, Já para as terras de Ifé Ogun, e Ajagunã para as terras de Oxagyan. Mas mesmo assim, os três irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a ser Guerreiros Brancos, ou seja, são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Obatalá, seus caminhos se cruzam…os três irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Páz. Deram essa característica guerreira aos seus filhos. É por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolú, sendo que depois disso conta o Itan que ele viveu alguns anos nas terras de Omolú e que lá encontrou uma linda mulher que também nao era das terras, mas estava lá por outros motivos, e se apaixonou por ela, tiveram filhos e se amam até hoje, e essa linda mulher era Yewá . Lá, ele se juntou com o Orixá Osayn e passou a ser um grande curandeiro, e em tempos de guerra ele cuidava dos guerreiros feridos com as porções e ervas mágicas que Osayn o ensinou. Jagun teve uma trajetória muito grande e bonita nas terras de Omolú, mas depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon, onde Oxun era rainha e Osagyan grande gurreiro e protetor do palácio e cidade de Oxun. Conta-se também que Jagun foi às terras de Osogbo, para destruir a cidade e buscar Oxun, pois Oxun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon, entao por ordem de Olooke ele fui buscá-la. Depois disso tudo ter acontecido, Jagun viveu anos nas terras de Omolu, Oxagyan trouxe Oxun de volta para Ekiti-Efon, por isso muitos acabaram se equivocando ao falar que foi Oxagyan quem deu as terras de Ekiti para Oxun, mas nao foi isso que aconteceu, ele apenas trouxe Oxun de volta a terra onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai. Orixá Olooke vendo o prejuizo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras, por causa de seu pedido de buscar Oxun, intitulou Jagun Olu Efon (Guerreiro senhor de Efon), para retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti – Efan). Orixá Jagun foi muito confundido com o culto à Omolu e Obaluaye, e foi por esse motivo que muitos de seus fundamentos se perderam, mas graças a Olorum e ao Axé Efón, está sendo resgatado todos os preceitos e orôs..Jagun possui caminhos próprios, como Jagun Odé, Arawe, Agaba e outros..Jagun um Orixá exclusivo do axé Efon, mas que foi migrado para as terras de Gege Mahí e Ketú….Jagun é um lindo Orixá de grande valor no Axé Efón, lembrando que o culto à Jagun no Efón (efan) é separado de Obaluaye….

Aqui vamos relacionar alguns caminhos de Jagun ...

Jagun Arawê, ligado a Ossayn e Oxaguian

Jagun Igbonan, ligado a Ayrá,Oya e Obá

Jagun Algbá, ligado a Exú, Oxaguian, Oxalufan e Oxun Yeye Ayalá

Jagun Odé, ligado a Odé Inlé, Ogun Jáe todos os caçadores

Jagun Agbá funfun, ligado a Oxalufan, Iyemanjá e Oxun

Jagun Seji Onan ou Ajoji, ligado a Exu e Ogun

Suas folhas: Akoko, algodão, saiao fortuna. folha de obi, folhas de iroko , folhas oguegue e todos folhas de Oxalá…

Orins T’Jagun :
(cantigas de Jagun)

Jagun Abagbá Jagun Abgbá

Arawrá ae

Arwrá ae

********************

Já,Ajagun,Ajagunan

Pele já ae

Ja, Ajagun, Ajagunan

Pele já ae

*****************

Jagun Olu Efón

Jagun Olu Efón´

Jagun Efón Jagun Efón

***********************

Awure Babá Jagun

Awure Babá Ajagun o


Fonte: http://www.olorum.org/orixas/a-historia-do-orixa-jagun



EM TEMPO:


O culto ao Orisá Jagun

Jagun Orisá Agbara Ese Egi Iroko
Itans de Jagun

(Histotias de Jagun orisá)
Segundo lendas e itans, conta-se que Jágun; Guerreiro dos Exércitos de Obatala que foi enviado as Terras de Omolú, para lutar pela Paz em nome de Oxalá. Por isso ele é cultuado em algumas nações como "Qualidade de Omolú", por ter passado vários anos em terras de Omolú. Pois o culto de Jagun nasceu no Ekiti Efon por esse morivo,Jagun é cultuado no Asé Efon como um Orisa separado de Omolu.Pois antes dele ter ido para as terras de Omolu ele ja tinha seu culto no Ekiti onde era sua terra natal.Assim tambem conta seus itans que Jagun teve passagem nao só nas terras de Omolu,mais tambem nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Egibo(Terra de Osagyan).Pela orden de Oseturá,Jágun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odu) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondem outros Guerreiros Brancos como Ogun-Já e Oxaguiã Ajagunãn.Pela ordem de chagada dos odus,sistema de Ifá culto de Jagun nasceu no Odu Okaran.
Os filhos de Jágun, tem aparência jovem, são autoritários, arrogantes, guerreiros, justiceiros, briguentos e agitados, fortes na adversidade, costumam fazer tudo a sua maneira, ouvem conselhos dos outros, mas costumam seguir sua própria vontade...São pessoas trabalhadoras, gostam de tudo rápido, exigem asseio, limpeza; pessoas impulsivas; pessoas de espírito livre; enjoam de tudo facilmente; são dados á paixões violentas e passageiras, são curiosos, adoram viajar. Possuem grande proteção espiritual, boas amizades e, quase sempre, caminhos abertos. Possuem comportamento delicado, são honestas, dedicadas e atenciosas. Vivem com grandes esperanças, estão sempre apaixonadas, são sonhadoras, sofrem e se desdobram para ajudar e defender os amigos. Quando são repudiados ou sofrem algum tipo de traição podem se tornar extremamente vingativas e amargas. Apesar de serem guerreiras e obstinadas, as pessoas de Jágun, as vezes se isolam preferindo ambientes calmos e tranquilos. A
personalidade dos filhos de Jágun é um misto de caracteristicas de Ogun, Omolú e Oxaguiã.
Jágun, é uma palavra Yorubá, e significa: Guerreiro, Soldado.

Jagun é um Orisa abicioso luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira...Apesar de ser Orixá Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, "santo quente", carrega uma lança prateada na mão e um facão ao adaga e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos,pois conta se um itan que Osala o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de branco,e se for usa Azê ou Capuz de palha é aberto no rosto por se tratar de um Guerreiro,sendo que geralmente Jagun prefere apenas usar um torço. Usa contas brancas rajadas de preto dependendo da qualidade intercalada com contas branca gosta tambem de contas feitas de buzios e marfin. Jágun é Orixá Jovem,quase chega ser um menino adolecente de Obatalá .. Ligado a Obatala (Rei no pano branco ), tem caminhos com Ogun Já, Oxaguiã - Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemanjá e quase todas as Yabas pois elas acalmao sua furia.Quem traz Jágun ao barracão é Oxaguiã. Ele é considerado o "protetor" e "guardião" de Oxalufã. Carrega consigo o Odú Ejionilê. Por ser considerado Orixá Funfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce e as vezes mel e de preferencia a banha de Ori suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obí funfun (claro), come tambem do Ebô (canjica) de Oxalá, assim como seus bichos tambem devem ser todos brancos, por ser ligado a ao rei do pano branco (Obatalá ). Jágun dança com outros Orixás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Oxaguiã e Oxalufã. A dança de Jágun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga seu momento de "extâse" é quando salta e se sacode todo empunhado a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. Segundo as lendas, a lança prateada de Jágun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. Jagun tambem assim como Ogun ele é um grande caçador,assim como Ogun é caçador, que por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Ossossi a caçar ele nao deixa tambem de ser um guerreiro,assim é Jagun é o grande guerreiro mas tambem um bom caçador.E algumas de sua cantigas relata isso.
Conta o itan de Ogi-Ogbé/Okaran que existiam 3 irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn. Eram 3 Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Obatalá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Oxalá e eram os Guardiões deste Orixá. Eram chamados de os Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Obatalá. Eram considerados invencíveis, por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos nunca se separaram. Masum belo dia os tres irmãos gurreiros,foi guerria contra cidade de Osun.Osun como uma grande sabedoro dos poderes de Ya mi,foi avisada por ela quem seu reino seria atacado.Osun ficou muito desesperada e foi até Ifá para saber oque faria.Orumila mandou ela fazer um ebó,que sacrifica-se 8 Igbis a Osala e com o casco fize-se um pó e sopra-se nas terras de Osogbo.Assim Osun fez,quando os guerreiros chegaram para invadir as terras eles ficaram tontos e se perderam um do outro.Aí que Jagun foi para as terras de Omolu,Já para as terras de Ifé Ogun,e Ajagunã para as terras de Osagyan. Mas mesmo assim os 3 irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a ser Guerreiros Brancos ou seja são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Obatalá, seus caminhos sempre se cruzam...os 3 irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Paz. Dando essa caracteristica guerreira aos seus filhos. E por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolu,mas sendo que depois disso conta se o Itan que ele vieu alguns anos nas terras de Omolu e que la encontrou uma linda mulher que tambem nao era das terras mas estava la por outros motivos,e se apaixonou por ela,tiveram filhos e se amam até hoje,essa linda mulher era Yewá.La tambem ele se juntou com o Orisa Osayn que por essa amizade passou ser um grande curandeiro e em tempos de guerra ele que cuidava dos guerreiros feridos com as porçoes e ervas magicas que Osayn o ensinou.Jagun teve uma trajetoria muito grande e bonita nas terras de Omolu,mas ele depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon,onde Osun era rainha e Osagyan grande gurreiro e protetor do palacio e cidade de Osun.Conta tambem que Jagun foi as terras de Osogbo,para destruir a cidade e buscar Osun,pois Osun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon,entao por ordem de Olooke ele fui busca-la.Depois isso tudo ter acontecido,Jagun anos nas terras de Omolu,Osagyan trouxe Osun de volta para Ekiti-Efon,por isso muitos acabaram se icvocando ao falar que foi Osagyan que deu as terras de Ekiti para Osun,mas nao foi isso ele apenas trouxe Osun de volta a terra de onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai.Orisá Olooke vendo o prejuizo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras,ele por causa de seu pedido de buscar Osun,ele intitulou Jagun Olu Efon,(Guerreiro senhor de Efon)em forma de lhe retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti - Efan).
Caminhos do Orisá Jagun
1°Jagun Elewé :
Ligado a familia Unjí,esse caminho é o caminho que Jagun passou nas terras de Sapata e encontrou Orisá Ossayn e aprendeu a magia da cura e das folhas.Caminha com Ossayn.Sua ferramenta é um opere Ossayn prateado mas sem as folhasFaz Oro com Ossayne ligado a Erinlé e Ogun Já.Nesse caminho ele é muito guerreiro e ligado a cura e os misterios de magia de Ya Mi Osoronga.
2°Jagun Alagba ou Jagun Abagba :
Esse caminho de Jagun é muito melindroso,pois ele tem muita ligaçao com Ya Mi e Baba Egun.Pessoas desse caminho pelomenos tem que se tomar Bori ou Obi com Ejé dois vezes no ano.È um caminho muito quente,tem ligaçao com Yewá pois ele foi sua esposa e é bom arruma todas as Yagbas para acalma-lo,alias todos os caminho é bom serca com muito Orisá Omi e Ossalá.Esse caminho é Ligado a Ajagunã e Já.Ele leva uma mão de pilão nas costas e mora no quarto de Orinssala ou em um quarto com Ajagunã/Betiode ou Betioco dependendo do Odu da pessoa e Já.Para mecher com esse Orisa independente de caminho tem que tratar bem de Ya mi E Egun e Esú.Esse caminho de Jgaun usa tres ikeles um de Buzios,um de conta e outro de Branco de Osala.
3°Jagun Odé Ou Jagun Olodé :
Ligado aos Odés.Inclusivel mora no quarto dos Odés.Ligado a Ogun e Ossossi.Ele usa um Ofá prateado.Faz Orô com Ossossi e Ogun Já. Mas se arruma: Ossossi,Otin e Logun Edé, Erinlé,Iya Otin ,Ajagunan Betiodé e Ogun..Ou seja ele é ligado a todos os Odés e mais ele sai também no abado de Ossossi e nos mariows de Ogun.
4°Jagun Igbona :
Ligaçao com Ayrá,nessa faze Jagun era lento como um igbí,que por isso Ayrá esquentou o casco do igbí para esquentalo E por isso nessa Faze de Jagun é muito quente por se ligado aos Orisás do fogo.Ayrá e Oyá.
5°Jagun Agbá funfun :
Ligado a Osalufan,Yemanja e Osaguian..Esse caminho tem que fazer bastante oro a Ayrá pois ele é guerreiro mais é bem lento ....
6°Jagun Ajojí ou Jagun Seji Lonan :
Ligado a Ogun,muito sanguinario..Ele é muito quente e guerreiro,nessa fazer Jagun usa mario ou abre caminho mara acalma-lo.Faz orô com Ogun,esse caminho leva um ikele e umbigueira de ferro.Ligado a Esú Ona também..
7° Jagun Aisan :
Esse caminho de Jagun é totalmente Femea ou seja Yagba,esse caminho ele se cobre de palha ou mario.quase não se faz mais.Assim conta -se o itan que ele nesse caminho seria femea.E por mais um motivo que muitas pessoas confundirao Jagun c/ Oluaye por esse caminho usar palha.Esse caminho só se arruma não se faz em Ori.


JAGUN É UM ORISÁ MUITO TEMPERAMENTAL E JOVEM É BOM TER MUITA CAUTELA PARA ZELAR POR ESSE ORISÁ POIS SUA FURIA É MUITO GRANDE.JAGUN É FUNFUN COMO OLOKE,AJAGUNÃ,JÁ E OUTROS SÓ QUE NADA O IMPEDE DE USA UM POUCO DE (EPÔ)DENDE SÓ MENTE QUANDO ELE VAI COMER BICHO DE 4 PÉ.DEIXAND CLARO QUE NÃO SÃO TODOS CAMINHOS DE JAGUN QUE ACEITA EPÔ (DENDE)MAS O CERTO É O MELHOR FORA O SEU LABÉ É USA BANHA DE ORI E MUITO EFUN.SUAS CONTAS NÃO SÃO ESPCIFICAS,MAS ELE ADORA KAURIS(BUZIOS BRANCO) E MARFINS,QUE POR SINAL O PERTENCE.JAGUN COME FAISÃO,PAVÃO,PERU,POMBO,COQUEM,GALOS,CARNEIROS,CABRITOS NOVOS E CLARO O IGBI,POIS ESSE NÃO NÃO PODE FALTA PARA NENHUM DOS CAMINHOS ATE POR QUE SUA MASSA QUE VAI DENTRO DE SEU IGBA, LEVA O EJÉ BRANCO DO IGBÍ E O CASCO VAI PENDURADO NO SEU IKELE DE BUZIOS

IJUBÁ JAGUN
Baba Mi Jagun Mojubare
Meu pai Jagun meus repeitos
Iba Aseda
Saudaçoes
Iba Asé Orisá Jagun Aye
Saudaçoes Senhor Guerreiro do mundo
Jagun Mo pé o
Jagun vos chamo
Asé Mi Jagun
Força meu pai
Ayó Asé Asé
Felicidades,bençao,bençao
Iba oo
Benção

Ago Mi Orisa Ago
Perdao me Orisa perdao
Ago Mi Jagun Ago
Perdao meu guerreiro perdao
Ire o Asé Baba Mi
Benção meu pai
Asé o Asé o Asé ooo!!!!
Força,Força,força
Saudação: Jagun Arawra Jagun Epa " Jagun Olu Efon Epa Jagun


fonte: axeefon Autor: Tadeu ti Jagun

Omolú igbona gbona zuê

Omolú igbona gbona zuê
E komo vodun macetô

E komo vodun naje

Ìjòni le o Nàná

Ìjòni le o Nàná ki may ò

Nàná ki may ò ki n a lode

F è l è f è l è mi igba nl o , ajunsun wale

Meré-meré e no ile isin

Meré-meré e no ile isin

E n sinbe meré-meré osú láyò

E n sinbe meré-meré osú láyò

Oba ala tun zuê obi osun

Oba ala tun zuê obi osun

Iya lóni

Otù, àkóba, bi ìyá, húk ó , káká, bet o

Otun zue, obi, osùn

Bara al e s o ran al e s o ran

Bara otun zue obi osùn




Omolú, Senhor da Quentura

Sempre febril produz saúde

Educa o filho Vodun Maceto

Vodun educa o filho castigando

Nàná ele é capaz de provocar queimaduras

Ele é capaz de provocar queimaduras, Nana, e se enche de alegria

Nana ele se enche de alegria do lado de fora

És capaz de fazer definhar em vida, Ajunsun, até secar

Habilmente ele enche a nossa casa de escravos

Habilmente ele enche a nossa casa de escravos

Primeiramente o erguemos habilmente osú que cobre a terra

Primeiramente o erguemos habilmente osú que cobre a terra

Rei que nasceu como o sol, Pai do Vermelho

Rei que nasceu como o sol, Pai do Vermelho

Neste dia

Doença, infelicidade, sofrimento, tosse, dificuldades, aflição

Suplico-lhe diariamente, Pai do Vermelho

Rei do corpo suplico-lhe rastejando

Rei do corpo suplico-lhe diretamente, Pai do vermelho.


QUE BABA MI JAGUN SEJA SEMPRE O MEU GUERREIRO PARA QUE EU NÃO PRECISE GUERREAR SOZINHO, SEJA SEMPRE MEU JUÍZ PARA QUE EU NUNCA CONDENE NINGUÉM INJUSTAMENTE, E PRINCIPALMENTE SEJA SEMPRE MEU PAI, SENHOR E AMIGO PARA QUE EU NUNCA ANDE SÓ PELOS CAMINHOS DA VIDA.

ASÉ IRÊ, ASÉ AIYÒ, ASÉ OWO LOWÒ!!!

Ajagun – O nascimento dos três guerreiros Funfun
15/03/2010 por pcrestana

Contam os itans (lendas), que os 3 Guerreiros Brancos, Já, Jagun e Ajagunan
) e soprasse nas entradas da cidade. Assim ela fez, logo mais tarde os três guerreiros chegaram quando se deparou com as entradas das cidades ele ficaram cegos e tontos por horas. Atin e o casco dos igbís ela fizesse um pó(igbís com 8 Osalá,ele mandou ela fazer uma oferenda a Ifá muito esperta foi até Osun que os 3 guerreorrao iriam invadir suas terras,Agés, ela foi avisada pelas Mí Íyá, detentora dos poderes de Osun), mas Osogbo (Osun contra umas das cidades de guerriar perdia uma batalha, um belo dia eles foram naoeram grande guerreiros e Ajagunan,Já e Jagunque itan,pois conta se um Nanã e Bessen,Sapatá sim ele foi para terras de Mahí teve ligação com as terras de Jagunpara que ele mantenha sua vida sempre próspera e fluindo. Ayrá uma comida a arriando podem sempre que puderem estar Orixás. E os filhos destes Ayrá a vida da pessoa tirando-a da estagnação é reaquece (deixando a vida de seus filhos parada, estagnada por um período) e só quem Igbinentram novamente no casco do Ajagunane Jagun, pois em uma determinada época os 3 irmãos Guerreiros: Já, Ayrá e Oxalufã e principalmente a Yemanjá, não existem sem um conjunto), são ligados entre si, á Orixás (Brancos) (pois estes Funfun Orixás, tem que saber o quanto é importante arrumar todo o seu complexo de Orixás. Portanto a Ligação dos 3 irmãos é muito grande nos enredos de santo. Todas as pessoas que são iniciadas para esses Oxalufã(caramujo), considerados portanto filhos de Igbin dentro do casco do Oxalufã de sêmem, foram gerados do



Nisso eles se perderam um do outro, foi ai que aconteceu de Jagun chegar as terras de Sapatá(Obaluaye). Jagun, lá encontrou Ossayn, que lhe fez varias infusões de folhas para curar Jagun da cegueira e do mal estar. Com isso Jagun passou a ter grande ligação com Ossayn, a ponto de Ossayn dar-lhe o segredo da cura pelas ervas. La também, Jagun conheceu Yewá que foi a mulher que ele se apaixonou e ainda teve um filho. Então Jagun por anos e anos viveu em na terras dos Voduns, junto com a família unjí.

Com isso ele adquiriu muitos hábitos iguais e passou a comer certas comidas que eles comiam. Mas mesmo assim, Jagun sempre se vestiu de branco e nunca tapou seu rosto de palha como Obalwayê.

Conta também um itan: Que depois de anos, la na cidade de Ekití, Olooke o grande senhor da montanha e rei de Ektií e pai de Osun, sentia falta de sua filha na cidade onde ela nasceu. Osun,estava na cidade de Osogbo, então Olooke por ser muito amigo e companheiro inseparável de Obatalá, pediu a ele que enviasse seu filho Osagyan para buscar Osun. Assim fez, Osagyan foi buscar Osun a força, Osun não queria vir e ele não conseguiu trazê-la de volta, pois Osun amava a cidade de Osogbo onde ela comandava sózinha tudo aquilo. Então voltou Osagyan para Obatalá sem Osun. Osagyan com medo da reação de Olooke pediu a Obatala que não deixasse ele fazer nada contra ele. Olooke então lembrou do outro guerreiro de Osalá que se chamava Jagun e que ele muito confiava. Olooke ao saber que Jagun tinha sofrido um golpe por feitiço de Osun,ele imediatamente mandou chamar Jagun. Jagun então voltou a terra de Ekití onde ele nasceu, foi perante a Oké e lhe pediu perdão por anos sumido de suas terras Olooke pediu que ele fosse buscar Osun, Jagun retrucou dizendo que ela tinha o poder das Íyas e que ele não conseguiria. Olooke como ele que tinha outorgado a Iyas seus poderes de Agé, falou: Ómo Jagun vá que nada te acontecera. Assim fez Jagun foi chegou e trouxe Osun. Olooke por estar tão feliz em ver sua filha de volta deu o titulo a Jagun de Jagun-Efan, que seria guerreiro de Osun. Ele muito grato a Jagun deu lhe o privilegio de ser uns príncipes de Efan e dividir o reinado do Ekiti com Osun, para que Osun sempre lembra-se dele.

Bom, com isso Jagun volto a terra de Efan, mas Jagun não esquecera as terras do Dgege onde tinha filho, mulher e amigos. Ai demonstra o porque o Efan acabou tendo ligação com as terras dos voduns e porque hoje em dia e no antigo terreiro do Oloroke cultuava Iroko,Omolu,Bessen,nana e outros vodus.

Jagun (voodun ligado ao tempo), é um voodun que como alguns pensam ser da família de Sakpatá e Azunsun (voodun da terra, um voodun aynon), não o é. É um voodun a parte, ou seja, voodun diferentemente da família citada, as folhas, as roupas, isès e o assentamento de Jagun são diferentes do voodun Sakpatá e familia Azunsun; Jagun possui 04 família (04 qualidades como alguns chamam), veste-se geralmente de branco, dependendo do caminho q este venha ou estampados bem claros entre as cores (branca, vermelho e marrom), não usa jamais a cor preta; suas contas são muito diferentes da família de Sakpatá e Azunsun; não usa palha da costa, não usa mascaras como tenho visto comumente; porém, vem coberto de acordo com a família do voodun e não trás shashará (xaxará), usa muitos cawri (búzios), shawrò (guizo) e cabaças; dependendo da família cada um trás um instrumento diferentemente nas mãos; não existe um igual ao outro dentro da familia de Jagun; seu sandrós são diferentes do da família de Sakpatá e Azunsun. Voodun ligado totalmente ao tempo (ayiè); voodun muito rico e prospero mas simples ao estremo; possui fundamentos com voodun Gújá e Jagunà (Jagunan).

Fonte> Autoria Desconhecida.

O GUERREIRO-JAGUN
Segundo as lendas e itans, conta-se que Jagun, era Guerreiro dos Exércitos de Obatalá e que foi enviado às Terras de Omolú para lutar pela páz em nome de Oxalá. Por isso, ele é cultuado em algumas nações como “Qualidade de Omolú”, por ter passado vários anos em terras de Omolú. Trata-se de um Orixá Funfun, pois o culto a Jagun nasceu no Ekiti Efon, por esse motivo Jagun é cultuado no Axé Efon como um Orixá separado de Omolú. Antes dele ter ido para as terras de Omolú já existia seu culto no Ekiti, onde era sua terra natal. Assim também conta seus itans que Jagun teve passagem não só nas terras de Omolú,mas também nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Elegibô (Terra de Osayan). Pela ordem do meridilogun, Jagun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odu) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondemoutros Guerreiros Brancos como Ogun-Já e Oxaguiã Ajagunãn. Pela ordem de chegada dos odus, o culto a Jagun nasceu no Odu Okaran.Jagun é um Orixá ambicioso, luta para conquistar posição alta semver de que maneira…Apesar de ser Orixá Funfun (branco), é considerado ecultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada na mão e um facão ao adaga e muitas das vezes dependendo docaminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos,pois conta se um itan que Oxalá o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de
branco. Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade,intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de buziose marfin. Jágun é Orixá Jovem,quase chega ser um menino adolecente de Obatalá .. Ligado a Obatalá (Rei no pano branco ), tem caminhos comOgun Já, Oxaguiã – Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemanjá e as Yabás, pois elas acalmam sua fúria.Quem traz Jágun aobarracão é Oxaguiã. Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Oxalufã. Carrega consigo o Odú Ejionilê. Por ser considerado OrixáFunfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce , banha de ori, adin e as vezes mel e de preferencia a banha de Ori, suas comidassão todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhamecozido, bolas de arroz, acaçá, obí funfun (claro), come também do Ebô(canjica) de Oxalá, assim como seus bichos também devem ser todosbrancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Obatalá ). Jágun dançacom outros Orixás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Oxaguiã ee Jágun é extremamente guerreiro, Entao para deixar claro Jagun ou Ajagun é um Orisá e nao um vodu,ele tem
seu culto em Ektití onde nasceu,mais tambem nas terras de
Mehí,Savalu,Ifé,Save e Elegibo..Jagun foi um Orisá que muito andou
recebeu muitos titulos e em cada cidade foi visto como um tal
Orisá..lembrando que a palavra Jagun pode se referi a Ogun,Obalwaye e
outro guerreiros + Jagun Funfun só existe um..Que é Baba Ajagun nosso
grande pai e rei irmãos de Já e Ajagunan...Jagun é um Orisá de Efan que
teve ligaçao com as terras do Mahí,mas ele é um Orisá funfun e não é um
vodu.Por muito tempo o culto a Jagun foi assimilado ao Omolu,sendo que
no Asé Efón esta se resgatando seu culto,com cantigas,rezas própias e
preceitos altamente diferente de Omolu..
Jagun um Orixá exclusivo do axé Efon, mas que foi migrado para as terras
de Gege Mahí e Ketú….Jagun é um lindo Orixá de grande valor no Axé
Efón, lembrando que o culto à Jagun no Efón (efan) é separado de
Obaluaye….Suas folhas: Akoko, algodão, saiao fortuna. folha de obi, folhas de
iroko , folhas oguegue e todos folhas de Oxalá…

Fonte: http://fotolog.terra.com.br/axeolokitiefon:438.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

OYÉ

CARGOS DE SANTO (“OYÈ”)


São inúmeros os cargos exercidos nos Candomblés. Cada Nação tem seus correspondentes cargos, sendo certo que, embora variem as denominações, na maioria das vezes correspondem ao desempenho das mesmas funções.

Muitas vezes, em Casas da mesma Nação, há cargos que não se usam, por razões de tradição própria, ou mesmo por carência do ocupante.

Os cargos de santo, são outorgados diretamente pelo Zelador da Casa, pelas  Divindades manifestados (geralmente a do próprio Zelador ou daqueles que já contem vários anos de iniciação), ou ainda por vontade dos Orixás revelada através do Oráculo (inclusive o da pessoa que irá receber o oyè).
 Geralmente os cargos são distribuídos aos filhos de santo que já possuam razoável tempo de iniciação religiosa e de frequência na Casa (ainda que não iniciados naquele próprio Terreiro), dada à responsabilidade intrínseca e ao grau de confiança depositado.

É pouco usual, porém não impeditivo, que determinados cargos sejam outorgados a pertencentes de outros candomblés, que embora não frequëntem a Casa, a visitam em diversas ocasiões, devendo estar presentes nos momentos em que tal cargo deverá ser exercido. Isto se dá quase sempre quando os cargos têm caráter honorífico, ou quando a Casa prescinde de outra pessoa capacitada para aquele mister. Citamos o caso de Pejigans, Axoguns, Alabês, Ekedis, etc.

Os cargos não são exclusivos dos médiuns de incorporação (“elégùn”, de gùn, montar), podendo ser atribuídos aos “não rodantes”, tais como ogans e ekedis.


Cada  oyè requer necessariamente uma afinidade entre a função a ser desempenhada e o Orixá daquele que receberá o cargo, devido às atribuições que lhe cabem ou caberão.

Nem sempre aquele que receberá o oyè já domina as funções atinentes ao cargo. É preciso que ele possua as condições para tal. Muitas vezes esta avaliação é subjetiva e, como dissemos, caberá ao outorgante, mesmo que os demais não a entendam ou concordem.

Normalmente, é após a outorga do cargo, que o exercente será precisamente orientado e instruído para o bom desempenho.

Os cargos podem ser renunciados, muito embora isto signifique grande desfeita à Casa e ao Outorgante, bem como podem ser também destituídos dos outorgados. Geralmente a Segunda hipótese ocorre por negligências repetidas do exercente, fazendo com que o próprio outorgante lhe destitua; por sua inexplicada ausência da Casa; ou ainda  pela necessidade de ocupação do cargo, quando o exercente precisa se ausentar do Candomblé por muito tempo.

Os cargos não são obrigatoriamente vitalícios, podendo ser remanejados entre os filhos de santo (seguindo-se o mesmo critério da outorga) ocasionando que alguns filhos, ao longo dos anos, tenham exercido vários cargos no mesmo Candomblé. Contudo, raramente há “rebaixamento” dos cargos exercidos pelo mesmo filho de santo.

 Os cargos não são acumulados pela mesma pessoa, mas sim as funções. Por exemplo, a Ìyá kékeré (mãe pequena), por alguma necessidade (inclusive ausência de encarregados específicos) pode vir a exercer as funções da Ìyá efun, e ou da Ìyá gbàsé, sem que com isto detenha os três cargos.

Atualmente, face à interseção havida entre as Nações, muitos cargos de origens diversas convivem no mesmo Candomblé, reproduzindo tradições pontuais, mas já perdendo-se a origem histórica, regional e até liturgia.

Outro fator complicador para a identificação precisa de cada “oyè”, é a questão gramatical. Devido à dificuldade com as línguas de origem, a correta denominação, tradução e pronúncia dos cargos foi se perdendo no tempo, ou até mesmo modificando-se.

É importante não confundir o cargo (oyé), com o orunkó, e com o título. Ou seja, o cargo diz respeito à função a ser exercida. Exemplo: Ìyágbasé -  a mãe que cozinha. Já o orunkó, é o nome pessoal do Orixá, o qual, em determinadas Casas, passa a ser o nome pelo qual o respectivo iniciado passa a ser chamado. Ex.: Odé Kaiodê – O Caçador Tráz  Alegria. O título, diz respeito exclusivamente ao Orixá, à sua bravura, feitos ou características, o que, por muitos é confundido com as qualidades daquele mesmo Orixá. Ex.: Oya Messãn Orun, título de Iansã que a designa como a Mãe dos Nove Espaços Siderais.

Muitas vezes o filho de Santo pode exercer um cargo na Casa e ser chamado apenas por seu Orunkó. Ou ainda, na mesma situação, ser chamada exclusivamente pelo cargo que exerce. Registre-se ainda, que no mesmo Candomblé, pode haver aquele que é chamado pelo cargo, enquanto outro, por razões aleatórias, é denominada pelo Orunkó. Não há normas rígidas quanto a isto.

Segue elenco de cargos catalogados, listados tal como obtivemos, quer seja, sem o rigor gramatical, nem critério étnico:

Abiãn (Abíyán): é o frequentador da Casa enquanto não iniciado na Religião. A – aquele que, bí – que nasce, íyán – com dúvidas;

Afikodé (Aficode): posto do quarto de Oxossi;

Ajimudá (Àjímúdà): cargo masculino do culto a Omulu;

Ajimudá (Àjímúdà): é um cargo do culto a Oyá. Participa e é saudada no ipadê. A – aquela, ji – que acorda, mú – pega, idá – a espada (ou alfange);

Ajòiè: Ekedi responsável por vestir e zelar pelas roupas dos Orixás;

Akouê (Akòwé): responsável pelas compras; secretária, escritora;

Alabá: um dos sacerdotes do culto aos ancestrais;

Alabê (Alágbè) ou Ogãnilú (Ògán nílù): é o encarregado dos instrumentos musicais e dos cânticos a serem entoados;

Alagadá: Ogan que cuida das ferramentas de Ogun;

Alapini: sacerdote do culto aos ancestrais;

Apajá (Apájá): é o Ogã que sacrifica cachorro para Ogun;

Apetebi (Apètèbí): auxiliar do pai-de-santo. Segundo Bastide, é a esposa do pai-de-santo. Devido a isto, ainda que não iniciada, passa a usufruir de certo prestígio na Casa. Em alguns casos, pode até fazer consultas oraculares;

Apogãn (Apokan): cargo masculino do culto a Omulu;

Apotun (Apótún): cargo masculino do culto a Omulu;

Aramefá: conselho de Oxossi composto por seis pessoas;

Axobá (Ásógbá ou Ásógbánilé): maior cargo masculino do culto a Omulu. Trata-se daquele que conserta, coze e costura as cabaças;

Axogum (Àsògún): responsável pelo sacrifício dos animais. Geralmente é um filho de Ogum;

Aiyabá: cargo feminino. É quem bate o ejé nas grandes obrigações;

Aiyabá Ewe: cargo feminino. É a responsável por rezar as folhas;

 Babalaô (Bàbákáwo): sacerdote encarregado da prática do jogo de búzios para conhecer o Orixá  e o odú de uma pessoa, e todas as decorrências disto;

Babalossaim (Bàbálósányin) ou Olossaim (Olósányin): é o responsável por conhecer e colher as folhas ritualísticas.;

Babaojé (Bàbálojé): encarregado do culto aos mortos;

Balogun (Balógún): posto do quarto de Ogun;

Bamboxê: sacerdote do culto a Xangô;

Ebômi (Ègbónmi): título inerente ao iniciado que realiza a obrigação de sete anos de iniciação. Representa qualidade hierárquica no Candomblé. Significa “minha irmã mais velha”;

Ejitata: cargo masculino do culto a Omulu;

Elemoxó (Elémòsó): posto do quarto de Oxaguiãn;

Equedi (Ekedi): são aquelas escolhidas pelos Orixás para servi-los. Portanto, são as que cuidam da segurança dos que estão manifestados, dançam com os Santos, vestem e acordam os Orixás, por isso são chamadas de mães. Não se manifestam com Orixá;

Fatumbi: cargo de sacerdote de Ifá;

Iabassê (Ìyá gbàsè): é a responsável pelas cozinhas de santo e pelas oferendas;

Iadagãn (Ìyádagan): é a mais velha (no santo) auxiliar direta dos ritos de ipadê. Possui duas substitutas: otun e osidagan;

Iaefun (Ìyá Efun): é a mãe que pinta os iniciados com efun. Geralmente é uma cargo dado aos filhos de Oxalá, por ser o efun  intimamante ligado ao culto daquele Orixá;

Iaegbé (Ìyá Égbé): conselheira, assessora do(a)  Zelador(ra). Seu correspondente masculino é o Bàbáégbé;

Iajibonãn (Ìyájíbóna) ou Ajibonãn (Ajíbóna) ou Ojùgbònà): mãe criadeira, é quem cuida dos iniciados enquanto estão recolhidos, ensinando-lhes os rituais e regras de comportamento. A jí bí òna (aquela que dá caminho);

Ialatoridé: posto do quarto de Oxalá. É a mãe que prepara e cuida dos atoris de Oxalá;

Ialaxé (Ìyáláse ou Álásé)): é a que conhece e zela pelo axé. Segundo Beniste, “Toda Ìyálórìsà é uma ìyáláse, mas nem toda ìyáláse é uma ìyálórìsà.”;

Ialaxó (Ìyáláso): é a encarregada de costurar e vestir os Orixás;

Ialodê (Ìyá lodè): é a uma respeitável senhora da Casa, a quem, por idade de santo ou de vida, merece distinguido respeito;

Ialorixá (Ìyálórìsà): autoridade máxima do Candomblé. Seu correspondente masculino é o Babalorixá (Bàbálórìsà);

Iamorô (Ìyámórò): é aquela que dança com a cuia no ritual do ipadê é a que despacha Exú;

Ianassô (Ìyá nasó): sacerdotisa encarregada do culto a Xangô;

Iaô (Ìyàwó): é o recém iniciado no culto. Tal denominação irá acompanhá-lo até os 7 anos de Santo. O termo significa esposa, mais é utilizado tanto para homens quanto para mulheres. Ver “Orun Aye”, fls 234/236);

Iaquequerê (Ìyá kékeré): mãe pequena. É a Segunda na hierarquia da Casa. Seu correspondente masculino é o Babaquequerê (Bàbákékeré);

Iatebexê (Ìyátebesé): a encarregada de escolher os cantos e de cantar os solos;

Iatemi (Ìyátemí): cargo da Nação Jeje, dado às mulheres com mais de 7 anos de iniciação;

Ibalé (Ìgbálè) ou Balé (Balè): cargo do culto a Yansãn;

Iyalabakê: responsável pela alimentação dos iniciados;

Iya Sirrá (Ìyá Síhà): significa seguir em direção a um caminho. É ela quem conduz o estandarte de Oxalá;

Iyatojuomò: responsável pelas crianças do axé;

Jobi: cargo sacerdotal;

Kaueuêo (Kawéo): posto do quarto de Ossaim;

Kolabá (Kólábá): cargo do quarto de Xangô. É a responsável por carregar o labá (bolsa de couro onde são guardadas as pedras de raio – èdún àrá;

Mayê: mexe com as coisas secretas do axé: ajuda o Zelador no preparo do Adoxu;

Obás de Xangô: são consagrados a Xangô e guardiães do seu culto. São em 12 os principais, cada qual com 2 substitutos (Òtún , da direita e Òsì, da esquerda):

Direita:

1 – Abíodún
2 – Ààre
3 – Àróló
4 – Tèlà
5 – Òdòfin
6 - Kakamfò

Esquerda:

1 – Ònàsokùn
2 – Aresà
3 – Eléèrìn
4 – Onìíkoyí
5 – Olúgbòn
6 – Sòrun


Oburô: alto título da hierarquia do culto;

Ogalá (Ogalá): cargo do culto a Oxalá;

Ogãn (Ògán): é uma cargo masculino de alguém que não entra e transe. Os ogãns são iniciados (confirmados), mas não recebem todos os preceitos de um yawo. Os Ogãns, tal como as Equedis, não fazem obrigações periódicas de 1, 3 5, 7, 14 e 21 anos, ao contrário dos Yawos. Também são chamados de Pais;

Ogãn Sojatin: ?

Ojú Obá (Ojú oba): é um cargo ligado ao culto de Xangô. Significa os Olhos do Rei;

Ojuodé (Ojú Odè): cargo do quarto de Oxossi (os Olhos do Caçador);

Ojuomin: posto do quarto de Oxum (os olhos das águas);

Olopá (Olopá): é o encarregado de sacrificar cachorro para Ogun;

Oluô: o olhador do oráculo;

Ològun: Cargo masculino. Despacha os ebós;

Olopondá: grande responsabilidade na iniciação;

Omolará: posto de confiança;

Oloya: Cargo feminino das filhas de Oya. Despacha os ebós;

Pejigãn ou Abajigãn (Pejigán): é aquele incumbido de sacrificar os animais atinentes ao Peji  ou Cumeeira da Casa;

Rumbono (Humbono): é a primeira pessoa iniciada na Casa. Expressão de origem Jeje;

Sarepebê (Sárepegbé): transmite as decisões egbê, comunicando entre os Terreiros as festas e formulando os convites. É uma espécie de relações públicas do Barracão. Sáre – o que corre, pè – e comunica, egbé – as coisas da sociedade. Geralmente é uma cargo a alguém de Exú ou Ogum;

Sidagan: é a mais nova (no santo) auxiliar dos ritos de ipadê;

Sobalojú (Sobalóju): posto do quarto de Xangô;

Tojuomó (Tojúomo): aquela que olha pelas crianças. De oju – olhar, omo – filho, criança;

Vodunsi: é o mesmoo que ebômi (seu correspondente no Jeje);

Yarubá: carrega a esteira para o iyawô;

Ypery: Ogan de Odé;

Fonte e imagem : Google .


domingo, 18 de dezembro de 2016

TEUS REFLEXOS SÃO DE ACORDO COM QUEM ANDAS...

Por: Awô Ifalola Agboola.

Aboru aboye.

Para hoje, domingo, trago esta pequena contribuição à quem for útil.

No Odu Oturagunda, Ifa nos ensina que:

Olodumare ordenou a Orunmila que deixasse filhos na Terra e que estes pudessem ensinar aos homens o caminho da verdade, da ética e da moral através de ifa, portanto, o Odu Oturagunda é o divisor entre os homens bons e os maus e mais, este Odu Ifa garante que os comuns viverão em conjunto.

Não é por acaso quando encontramos uma boa pessoa que ela tenha outras boas pessoas em seu convívio, assim como não é por acaso quando encontramos uma má pessoa e descobrimos que ela possui outras pessoas más em seu convívio.

Observemos melhor com que grupo andamos e decidamos com sabedoria à que grupo queremos pertencer, pois certos julgamentos são para toda a vida.

Ifa a gbe wa o.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

GRUPOS DE PANELINHAS NAS CASAS DE SANTO

PANELINHAS DO TERREIRO
Por Fabiana Carvalho(Adaptação):

Quais são as verdadeiras intenções de filhos de um terreiro em relação a criar grupos de seus pares ou melhor , com aqueles que têm similaridade com os formadores de panelinhas dentro de um barracão ?
Será verdade que um Ilê dá privilégios para alguns filhos , e aos outros filhos, "somente existem " para custear os gastos de uma casa de santo e manter a zeladora(o)?

Afinal , qual é a função em ter filhos numa casa de orixás ?
É seguir uma religião ?
É bancar gastos do Ilê e ou a  vida do Babalorixa e ou Iyalorixa ?
Como igualizar essas contas sem que pese para alguns?

Boa Leitura.

(Texto originalmente publicado na página do Jornal de Umbanda Sagrada)

     Quando um médium entra no corpo mediúnico de uma casa, normalmente chega cheio de empolgação, grandes expectativas e uma vontade gigante de desenvolver suas mediunidades, incorporar seus Guias e se aproximar dos Orixás e de Deus.

     Ele espera a semana inteira o dia do primeiro xire na Casa, ansioso por aquele momento tão especial da sua vida. Chega ao terreiro animadíssimo e prestativo, querendo ajudar a todos. Procura entrosar-se com o grupo, puxa assunto, conta de sua vida, suas experiências anteriores (boas e ruins) na Umbanda e ou candomblé  e do quanto está feliz de participar do Templo.
Em pouco tempo, já encontrou irmãos com afinidades e se encaixou numa das “panelas” do Terreiro.

     Tem “panela” de dois, de três, de poucos ou muitos irmãos, que passam a relacionar-se com mais frequência que somente encontros religiosos semanais – ligam para saber a linha de trabalho da próxima gira, um dá carona para o outro e aproveita para tomar um café, depois da gira vão comer uma pizza, fazem juntos oferendas e rituais na natureza, um vai na casa do outro ajudar na limpeza do barracão , etc. Tudo girando em torno da afinidade inicial de todos.

     Mas a linha que separa os interesses gerais afrodescentes para assuntos particulares dos irmãos do Terreiro é muito fina e sutil. E as conversas passam facilmente dos procedimentos  para os comportamentos errados dos outros irmãos – aqueles que não estão na “panela”. Pronto! Isso já é maledicência e fofoca, que normalmente vem acompanhada de inveja, ciúme, vaidade, orgulho e maldade... E começam as famosas demandas entre irmãos de um mesmo Terreiro!

     E a motivação inicial que levou aquele médium ao Templo – desenvolver sua mediunidade  e a aprender a Cultuar a Ancestralidade para ter um contato maior com Deus e sua espiritualidade – ficou esquecida ou perdida na pequenez do ego humano.

     O médium deveria limitar-se a olhar para a frente (Sacerdote) e para o Alto (Altar); porém ele insiste em olhar para os lados e enxergar as falhas dos irmãos, apontando com seu dedo humano o espelho dos próprios defeitos que vê no outro... e atira a primeira pedra.

     Todos se esquecem de que pisar  num solo sagrado não significa que ninguém se santificou, vestir o branco por fora não reflete necessariamente essa cor em seu interior, simplesmente ser um YAWO  de Orixá , não garante incorporar seus valores, ser médium especial e muito menos , se passar pela divindade que carrega em seu ORI;  não dá acesso direto ao clube fechado dos “ascensionados na carne”!

     É sabido   que não são  os Orixás que precisam de seus filhos humanos e sim , o contrário. Mas muitos se intitulam como se fossem o próprio Orixá que nasceu em seu ORI.

     Ser candomblecista é ter consciência de que, onde há ser humano, há falhas – assim é no seu trabalho, com seus amigos, no seu casamento, na sua família. Antes de apontar os erros alheios, enumere e conserte os seus. Antes de cobrar a melhora e a mudança do outro, faça a sua reforma íntima.

     Quem é você para olhar para o lado e acusar um irmão de ser tão humano e falho quanto você? Qual o motivo que leva vc em se achar "melhor" do que seu irmao somente pq tem um cargo no barracão?
As pessoas recebem mais atributos e responsabilidades, porem , aos olhos divinos ninguém está acima de ninguém e sim , foram lhe dado tarefas de maior envergadura e muitos se perdem na arrogância e na falta de humildade.

Infelizmente , as pessoas entram nos Ilês por motivos errôneos.
Ao invés de celebrar e cultuar a Ancestralidade , muitos entram , para serem estrelas , como se lá fosse um teatro e ou   um picadeiro de  circo.
Candomblé não é isso!
Não se vive do Orixá e sim para Eles.
Como se cobra atitudes e ações dos neófitos se muitos daqueles que lideram e ou seus  pares , não dão o devido exemplo ?
A panelinha só demonstra o quando o ser humano ainda não está preparado para realmente processar o culto aos orixás.
Ao invés de ensinar os fundamentos, rezas , efos, orikis a seus descendentes, ficam perdendo tempo com fofocas e conversa fiada.

   O que fica de "consolo" são algumas casas tradicionais e até mesmo "novas" que buscam interagir mais entre seus integrantes. E não delegar responsabilidades sem preparar o filho ou a filha. E procuram explicar que não se deve distinguir ninguém por raça, classe econômica e muito menos , questões pessoais e de afinidade.

Ire o

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

APRENDIZADOS NO CANDOMBLÉ

Longo caminho do aprendizado no Candomblé.

Por : tomeje


Há muito tempo me questiono sobre a forma como são educados os iniciados da nossa religião, já falei disso em outra oportunidade, mas agora, tenho dedicado mais tempo a desvendar os mecanismos do aprendizado e da apreensão das informações. Sem querer me passar por Antropólogo ou historiador, somente um membro com questões e dúvidas a esse respeito.
O processo de aprendizado em uma Casa de Orixá, para mim, é uma troca constante e sempre em duas vias, aprende-se com os mais velhos e com os mais novos. Com os mais velhos da religião se aprende hierarquia, respeito e o modelo de funcionamento da Casa, com suas quizilas e macetes. Com os mais novos se aprende e se relembra da inquietação dos tempos de noviço quando queríamos aprender tudo ao mesmo tempo e agora. E vejo como saudável esta busca, por que foi esta inquietação que nos trouxe até este blog, uns para buscar ajuda ou informação e outros para repassar o que dispomos das informações.
Ao longo dos anos de aprendizado e observação se percebe que o tempo é o senhor do saber numa Casa de Orixá, ele é que determina quando uma pessoa está apta a conhecer ou, a saber, alguma coisa. Numa Casa de Orixá não se antecipa o aprendizado, mas deve-se estimulá-lo, não se antecipam as obrigações, nem mesmo uma cantiga ou uma reza pode ser antecipada em sua ordem de entrada na xire, elas têm seu tempo e hora para serem colocadas, tudo em seu tempo certo. Importante ressaltar que o “tempo certo” não pode servir de escudo para o não aprendizado e sonegação de informações. Neste aprendizado troca-se informação por sorriso, informação por ajuda no lavar dos pratos, informação por depenar galinha, informação por lavar as quartinhas, informação por informação.
Os mais velhos quase sempre escolhem ou apadrinham aqueles eleitos a quem vão dar a informação detalhada, o fundamento, o segredo. Porém sempre fazendo absoluta questão de dizer (por palavras e gestos) que não ensinam e não sabem nada para ensinar. Muitas são as decepções dos mais velhos que investem seus esforços em ensinar e muitas vezes não são recompensados com o desejo tão intenso do mais novo em aprender quanto o do mais velho em ensinar.
Os mais jovens normalmente escolhem aqueles mais velhos a quem irão pedir auxílio, é uma troca entre o saber ouvir, o saber falar e saber calar. Os mais novos as vezes se decepcionam com os mais velhos quando não conseguem a informação desejada no momento desejado. É o tempo cumprindo sua função.
Coió (bronca) deveria ocupar um capítulo a parte nas Casas de Orixá, em tudo e por tudo há um coió, as vezes engraçados, as vezes constrangedores, mas mesmo nos coiós há informação.
O coió pode ser: Explicativo, (“já te falei que só se corta os bichos pelas juntas, nunca se corta o osso, não falei?”). Inclusivo (“por que você não usa roupa estampada? Você já é velho bastante para isso, então use ta?”). Exclusivo (por que você está usando roupa estampada? Você ainda é muito novo para isso). E outros.
O aprendizado é longo e cheio de regras, não se aprende tudo em único dia, em único Bori, o conhecimento vem com a repetição dos gestos, das cantigas, dos rituais, das danças, aprender é um eterno fazer, refazer, ordenar e reordenar os pensamentos e os conceitos predeterminados. Para aprender sobre o que não se vê, e Orixá não se vê, sobre o sentimento, sobre emoções, deve-se estar aberto ao inesperado, ao novo e até ao contraditório.
Aprender numa Casa de Orixá é diferente de uma escola convencional, não há cartilha, nem quadro negro, muito menos professores. Mas há a cozinha…, o melhor lugar para dar e receber informação, lugar sagrado de se falar baixo e pouco, sobre o estritamente necessário. É na cozinha que se aprende de fato. É na sala que se confirma o que foi aprendido.
Aprender numa Casa de Orixá é essencialmente observar, quando ainda Abian (novato), por permanecer muito tempo abaixado, a visão é de uma criança por entre pernas e saias, neste período há pouca informação, pouco conhecimento e poucas e raras responsabilidades. Quando Iaô, o ângulo de visão melhora e as informações têm mais conteúdo, principalmente os “coiós” e as responsabilidades lhes são atribuídas aos poucos. Quando Ebamis, as informações que foram recebidas e assimiladas ao longo dos sete anos que o separavam dos “segredos guardados” serão cobradas e exercitadas plenamente, o iniciado já está apto e pronto para…. informação e “coió”.
Parece-me que a informação anda junto com “coió”, um depende do outro é uma relação de amor.
Muitos querem saber hoje o que só poderão saber amanhã, eles buscam de Casa em Casa, vão a todas, mas não se fixam em nenhuma e como costumamos falar eles “catam” a informação desejada, mas o aprendizado fica prejudicado, no Candomblé o que vale é o modo como se faz ou se fez na sua Casa na sua raiz e no seu Axé, foi assim que fomos ensinados. Informação extra Casa deve ser comedida e de fonte segura.
O aprendizado no Candomblé se faz da seguinte forma: Mais ouvir que falar, mais fazer que perguntar.
Um detalhe. A iniciação por si só não garante acesso a todas as informações no Candomblé. De fato, podemos dizer que as formas de aprendizagem nessa religião são váriadas e complementares. Mas o cumprimento das obrigações “de ano” no tempo devido é que podem credenciar o iniciado ao saber mais profundo. Mas, enquanto algumas das assimilações de conhecimento podem ser substituídas, a hierarquia e tempo de santo, o convívio com a Casa e a observação ainda são imprescindíveis para se aprender candomblé.
Uma Casa de Orixá está sempre em movimento, sempre ativa, sempre viva, portanto sempre disponível aos que desejam aprender, tanto a colher as folhas no local e horário correto, quanto a depenar e retirar os Axés, ou simplesmente o modo correto de acender ou apagar o fogo de lenha ou a usar roupa branca ou estampa adequada ao seu Orixá ou ao evento do dia. Em uma Casa de Orixá há sempre necessidade da colaboração de todos, da participação de todos, de todos e qualquer um.
 O aprendizado se dá na mesma velocidade com que você percebe que seus atos e palavras interferem, colaboram ou não para fortalecer a comunidade, vem com o tempo de iniciação? Sim vem, mas também com as boas amizades e com as trocas de bênçãos.
Aprendizado no candomblé vem com o tempo…e humildade.

POR:
Tomeje do Ogum.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

MANUAL DE YAWÓ

Por : juntos no candomblé.

"manual do bom filho "

Percebendo que com a modernidade dos tempos a religião espírita tede a adaptar-se a atualidade, encontrei um ótimo documento que é o “Manual do yawo (iaô, Yaô = Filho de santo). neles estão a conduta do filho de santo (Omo Orixá), no caso um yawo  que é nada mais, nada menos que um recém iniciado dentro do candomblé (culto ao orixá), ele pode variar muito de barracão para barracão (casa de santo), de nação para nação (ketu, jeje, angola, nago, efon), e da filosofia do babalorixá (o modo ao qual o pai de santo foi doutrinado em sua casa).

Manual Do Bom Filho De Santo –"O Yao  - Iao" . Conhecimentos Do Candomblé, Cultura, Devoção, Respeito Ao Orixá E A Si Próprio.

O manual do bom filho de santo não é só para os iniciados, pois a palavra Iaô (yawo) signfica esposa, um filho de santo é yawo até seus 7 anos de obrigação paga dentro do Candomblé (isso é ele tem que tomar a obrigação de sete anos para deixar de ser um Iaô e se tornar um Ebomi, dai ele poderá deixar de comprir várias obrigações de um yawo (novo de santo), pois deixou de ser uma criança na casa, e exercendo um grau acima, podendo até em alguns casos abrir seu próprio barracão (terreiro, Ilê axé, casa de santo, barracão), se tornando um babalorixá (pai de santo), se no caso ele tiver um cargo de santo (carma espiritual que implica em cuidar de outros filhos de santo). Então vamos ao que interessa, esse texto sobre a conduta do filho de santo dentro de uma casa é muito importante para o equilíbrio da própria, pois uma casa Orixá não tem prosperidade se não houver respeito e designação das hierarquias (1º Pai de santo, 2º ekeji, ogan, 3º Ebomi, 4º filhos de santo (yawo, abian), etc.).

YAWO, VONDUNCI, FILHO DE ORIXÁ
Gostaria muito que os Omo orixá (filhos de santo) já iniciados dessem uma lida no conteúdo abaixo, pois será de grande proveito, e os que estão querendo se iniciar dentro da Religião tanto do Candomblé quanto da Umbanda leiam com atenção o que é uma vida de devoção e respeito ao seu Orixá, o Orixá do Pai de santo, seu Ori (sua cabeça) e os demais postos dentro do Ilê axé (casa de santo).

MANUAL DO YAO - DO BOM FILHO DE SANTO. (elegun”feito de Orixá), abian (sem obrigação, cabeça virgem)

Tudo aquilo que nosso Orixá rejeita por qualquer motivo peculiar, que por vezes desconhecemos. Existem quizilas da própria Nação e as de Cada Orixá.
Seguindo este preceito, só dependerá de você ter uma vida melhor consigo mesmo e com os de mais que lhe rodeia.
yao, filho santo, Omo Orixá

As principais são:

O Yawo ao chegar ao barracão, o procedimento correto é:
a) Amarrar um pano no peito (mulheres);
b) Ir direto para a cozinha beber um copo de água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas, não falar com ninguém para bater - papo e colocar a fofoca em dia;
c) Tomar seu banho e ir trocar de roupa;
d) Bater cabeça no axé, na porta do quarto de santo e pro pai de santo;
e) Tomar a benção a TODOS os seus irmãos, sendo mais velhos e mais novos, de acordo com a ordem iniciática. Agora sim, caso não haja nada em que se possa ajudar (muito embora seja impossível, pois em uma casa de santo sempre tem algo a ser feito), depois pode ir colocar seu tricô em dia.

O Yawo se dormir no Terreiro deve levantar antes do sol nascer ou junto com o
nascer do sol.

O Iaô ao levantar não deve falar com ninguém, deve antes lavar seu rosto e boca, isso é para apagar os vestígios ou traços espirituais que eventualmente
tivesse vindo rondá-lo durante a noite a fim de colher nos seus lábios o mingau das almas numa possível alimentação.

O Yaô não deve falar mal e nem dar ouvidos aos que ensaie uma conversa contra a casa de santo ou seus sacerdotes e sim enaltecer para agradar as forças de sua fonte .

O Yawô não deve ocultar coisas que venha trazer prejuízo para a casa de Santo, deve expor o fato em tom normal sem demonstração de disse-me-disse.
O Yawo não de ouvir maldade e sim enaltecer sua casa.
O Yawo não deve fumar na frente de Seu Zelador, e dos mas velhos que visite sua casa.
O Yawo nunca fica de pé em frente ao Pai de Santo e sim agachado, com a cabeça baixa.
O Yawo nunca interrompe o Zelador quando estiver conversando com alguém.

Quando tiver visita no barracão (egbomis, ekedes, ogãs, zeladores), seja em dia de festa ou em dia corriqueiro, é de bom-tom que os filhos se abaixem próximo a ele para dirigir a palavra. Ai então disser AGÔ (Licença) e esperar ele dizer AGÔ YA. E de cabeça baixa, falar com ele em tom de voz baixa.

O Yawo não deve se portar de maneira desairosa no terreiro, por que do seu comportamento decorre a divulgação e o bom nome da casa.
O Yawo não deve falar mal da casa de santo (nem sua nem dos outros) e nem de seus componentes, isso provocaria a irá do ORIXA e trás a certeza de um pagamento futuro, a EXU a EGUN e as forças da natureza.

O Yawo não deve passar pelo seu pai de santo com a cabeça erguida, e sim um pouco curvado para frente.
O yawo só pode sentar em Apoti (Banquinho) mediante a autorização do seu Zelador. (Somente raspados podem sentar em apoti)
O Yawo não deve deixar dormir roupa em corda (pois Eguns a noite faz dela sua morada)
O Yawo não deve sentar em soleira de porta.
O Yawo não deve passar embaixo de corda que tenha roupa intima, roupa de baixo, mesmo que estas sejam suas.
Yawo não passa embaixo de escada.

O Yawo não deve pegar sou de Meio-dia, mesmo com cabeça coberta.
O Yawo não deve varrer a casa dos fundos para frente e sim da frente para os fundos.
O Yawo não deve verter (Urinar) ou defecar, em rios, lagos, dentro de de água, poço ou cachoeira (locais Sagrados).
O Yawo não deve defecar em mato, em cima de plantas votivas.
O yawo não deve cuspir em água de espécie alguma.
O Yawo deve esta com seu contra-egun toda vez que for ao barracão.
O Yawo deve sempre esta com O Ojá ( pano de cabeça) em sua cabeça.

O Yawo não deve entrar em cemitério, só em casos muito especiais, assim mesmo com a cabeça coberta. E somente com a permissão de seu Zelador.

O Yawo não deve entrar em Igreja, hospital, matadouro, etc, só em casos especiais, assim mesmo com a cabeça coberta. Somente com a permissão de seu Zelador.

O Yawo não deve ir a praia (Banho de Mar ± areia, calçada, beira de praia, beira de mar, casa de praia), sem ter suas obrigações em dia. E somente com a permissão de seu Zelador.

O Yawo não carrega embrulho na cabeça.

O Yawo não deve ser descortês, nem mesmo entre os irmãos do terreiro e com visitantes, e sim bastante paciente e educado.

O yawo não deve impor seus desejos, nem mesmo entre os irmão de barco, seus desejos ou vontades serão discutidos.

O yawo não deve faltar com educação e cortesia para com todos aqueles que nos batem a porta, seja ele conhecido ou não.

O Yawo não deve tornar publico as coisas que delas participarem em caráter de segredo na casa de santo.

O Yawo não deve menosprezar os outros e nem se colocar em falso pedestal de auto suficiente, e sim ser humilde.

O YAWO nunca, jamais, em tempo ou hipótese alguma, seja no seu barracão ou no barracão do alheio, deve-se sentar na mesma altura que o seu pai de santo.

Ele já passou por vários sacrifícios para estar sentado confortavelmente ali.
Você ainda está no meio do caminho. Portanto, pra que querer sentar aonde você não alcança? Mesmo que o dono da casa chame , cabe a você recusar

Yawo e abian não bebem nenhum líquido em copo de vidro dentro de seu barracão ou no barracão do alheio. Deve-se esperar o bom e velho copinho de plástico ou então a conhecida DILONGA, BAN ou CANEQUINHA DE ÁGHATA, como você preferir chamar. Copo de vidro só quem tem direito é egbomi, ekede, ogan e zelador…

 
Terminou seu ajeum (comer)? Pegue seu pratinho e sua canequinha, Pegue seu pratinho  e sua canequinha, Não cai a mão e nem coça, sabia? Infelizmente ainda não
possuímos uma empregada que possa cuidar da limpeza geral enquanto nós  descansamos.
 
Como dissemos no item anterior, não temos uma empregada para limpar tudo.
Portanto, cada um deve se conscientizar e fazer a sua parte. Ficar protelando,  esperando que algum irmão de santo se encha da bagunça e vá arrumar por você  não tem cabimento. Cada um fazendo um pouco fica mais fácil e rápido.
 
 
Resolveu visitar o pai de santo? Que maravilha! Ele adorará sua visita, ainda  mais se você vier com uma modesta colaboração para o ajeum, pois como é do
conhecimento de todos, o pai de santo não tem obrigação de alimentar todo  mundo. Madre Teresa de Calcutá já morreu, e definitivamente, ela não vira na
cabeça do pai de santo.
 
Você trabalhou feito a escrava Isaura e se cansou? Acabou de fazer todo o  serviço? Bem, agora você pode pegar o seu maravilhoso APOTÍ e confortavelmente sentar-se nele. Como dissemos no item 5, cadeiras, sendo com  ou sem braço, só ebomis, ekedes, ogãs ou zeladores que podem sentar. Existe  uma variável do APOTI, que é a famosa ESTEIRA. Nela você pode se sentar, se  espichar e até relaxar seus ossos.

Em sua casa, quando você faz uma comemoração qualquer e é servida uma  refeição, você sai atacando o ajeum na frente de seus convidados? Acreditamos que não, né? Portanto, na casa de santo é igual. Antes os mais velhos devem se  servir, pra só depois os abians e yawos se servirem. Isso é mais que uma regra é  etiqueta. E você não vai querer ser um deselegante, não é? Lembre-se: Estão  sempre observando você...
 
As emprestadas? Pois é, o pai de santo também não gosta. Portanto, que tal  comprar um belíssimo tecido de lençol e fazer uma baiana de ração básica pro dia-a-dia? Não sai caro e fica uma gracinha. E você finalmente pára de pegar a roupa do alheio emprestado. Não é maravilhoso? Todos na casa contentes efelizes com suas devidas roupas.
 
Quem traz dinheiro para o sustento da casa? Você é que não é. Portanto, trate muitos bem os clientes que vão para jogar ou se consultar, pois é deles que vem boa parte do dinheiro dali. Sorrir sempre e servir um copinho de café ou de água gelada não matam ninguém. Que tal tentar?
 
E vai rolar a festa! O povo do kétu, do jeje, da angola e até da umbanda já mandou avisar e convidar. Mas, e o dinheiro para comprar o ajeum e o otí do povo? Com certeza o Carrefour não irá mandar as coisas de graça para o barracão, nem o Mercadão de Madureira tão pouco irá dar os bichos e todo o
material restante. Portanto, que tal se todos coçassem o bolso um pouco e ajudassem?
 
Você acha que só por este local ser uma casa de santo, a Electro, a CEG e a Sabesp irão fornecer água, luz e gás de graça? É claro que não. Portanto,contribua sempre com a sua módica mensalidade. Economizar um pouco na Skol e no cigarro no final de semana já irá ajudar muito no barracão.
 
O mundo está em guerra, existe muita gente por aí passando fome. Portanto, por que desperdiçar comida? Fazer a quantidade exata só para quem trabalhou dignamente e contribuiu com este maravilhoso ajeum é o coerente, pois você não está no programa da Ana Maria Braga para comer de graça. Por falar em Ana Maria Braga, lembre-se que você não é o Louro José para dar palpites no barracão. Se você tem alguma sugestão, leve-a antes ao pai de santo. Espalhar a corrupção sobre a Terra era coisa da novela Mexicana.
 
Ficou cansado depois da festa? Nada de ir pegando sua bolsa e ir saindo de fininho. Lembre-se da limpeza do barracão.
 
Roda de candomblé, seja em sua casa ou na casa do alheio, não é lugar de ficar de cochicho e risinhos irônicos e não tão pouco paquerando.. Se você querfuxicar, vá para um botequim.
 
Anágua encardida, só se for depois da festa do candomblé. Antes, NUNCA, JAMAIS, NEM PENSAR! Devem ser brancas como a neve, salve anágua de ráfiaou entretela.
 
Você, irmãozinho, que vê o mundo cor de rosa-choque com bolinhas amarelas, deve deixar esta sua visão progressiva e moderna do lado de fora do barracão.

Ali dentro você tem que ver tudo branco. O mesmo vale para as coleguinhas que vêem tudo azulzinho. Casa de orixá é para louvar e cuidar do Orixá, e não para arrumar casório.
 
Vai rolar um churrasquinho de gato na casa do seu coleguinha no meio da semana, no mesmo dia de função do barracão? Então, peça para ele guardaruma garrinha de carne para você e venha cumprir suas obrigações junto a seus irmãos.

Se sua irmã de santo tem uma baiana mais humilde do que a sua, nada de ficar xoxando. Lembre-se, o mundo dá voltas e o feitiço pode virar contra o feiticeiro.
Amanhã pode ser você com uma baiana de chita e ela com uma belíssima saia de rechilieu.
 
Caso assista fora do seu barracão a algo diferente do que ocorre em sua casa, nada de ficar xoxando e chamando de marmoteiro. Você não é o dono da verdade e nem ninguém o é. O que pode parecer maluquice pra você, pode não ser pro próximo. Não é errado, é diferente de sua casa. Além do mais,
comentários sempre são feitos depois. Vai que tem alguém conhecido escutando?

Ninguém tem mais ou menos santo que ninguém. Isso é regra. Sempre.
Respeito é bom e conserva os dentes. Portanto, deve-se pensar duas vezes antes  de envolver o pai de santo e irmãos mais velhos em determinadas brincadeiras  de mau-gosto. Apelidos e avacalhações são da porta do barracão pra fora. Além  do mais, a próxima vítima pode ser você. 
  
Roupa de barracão é saia comprida, camisú e pano da costa. Shortinhos e topsdevem ser usados somente pra ir ao baile funk.
 
Sempre que for servir algum mais velho de santo, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir. Sempre que for servir algum mais velho de santo, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir.
 
Benção foi feita para ser trocada. Sempre que você pede a benção, você está na realidade pedindo a bênção ao Orixá da pessoa, e não a ela própria. Portanto,todos devem trocar a benção, mais velhos com mais novos e vice-versa.
 
 
Quando você estiver em uma roda de pessoas dentro da sua casa de santo ou de outro barracão qualquer, abaixe o seu ori e peça a benção até o periquito queestiver chegando, você não sabe quem é ele e ele pode ser bem mais velho que você, um tio de santo ou qualquer outro egbomi, é preferível você pedir a benção a alguém mais novo do que errar passando por cima dos mais velhos.
 
Lembre -se que para nosso Zelador (a) seremos sempre YAO.(Como para nossa Mãe carnal, seremos sempre crianças).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

OBRIGAÇÕES NO CANDOMBLÉ

As Obrigações de santo

Por Marcela
Foto : site de busca

Um ano após a  feitura, o nascimento no santo, o Yawo  deve fazer a sua primeira obrigação que tem como significado comemorar esse nascimento e o reforço dos seus votos. Nessa ocasião, são oferecidos: um Bori e comida seca para os Orixás

Os votos serão renovados ao completar 3 (três) anos. Serão então oferecidos: um Bori, comidas secas e um animal de quatro patas, que seja do fundamento do seu Orixá.

Aos 7 (sete) anos de feitura o Iyawo alcança a maior idade no santo tornando-se Egbomi (irmão mais velho) e a partir deste momento está pronto para assumir funções sacerdotais, ou seja tornar-se dono de sua própria casa ou na sua comunidade se tiver evidentemente o cargo para zelador, caso não tenha, poderá assumir um cargo dentro da casa.

As obrigações dentro do Candomblé não podem ser adiantadas, ou seja, dadas antes do prazo, existe a necessidade de ser respeitado o tempo para que sejam realizadas.

Somente a iniciação não assegura que o Iyawo, receba o cargo de Egbomi, ele precisa cumprir todas as etapas descritas anteriormente e mesmo tendo mais de 7 (sete) anos de feito, enquanto não forem realizados os rituais de passagem seguindo a ordem cronológica, ele continuará sendo um Iyawo.

O Egbomi recebe durante a cerimónia, elementos de fundamental utilidade para que exerça a função sacerdotal entre eles, os seus búzios e navalha; é justamente o conjunto destes elementos que origina o nome Deká ou Cuia.

Outras duas obrigações são necessárias a este novo Egbomi, quando forem completados 14 (catorze) e 21 (vinte e um) anos de santo.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

POSTURAS E COSTUMES NA ROÇA DE CANDOMBLÉ

Este texto de mãe Marta de Oba, retrata um pouco um dos assuntos básicos de uma casa de orixá.
Com suas características próprias de acordo com sua nação, este texto pode ser adaptado e se voltar à realidade das outras nações de matrizes afro-brasileiras .
Boa Leitura:

'Posturas e Costumes   Na  Casa  de  Santo'



"Quando propus o debate e comentários desse tema, foi com a intenção de refletirmos um pouco mais sobre as práticas e o abandono de alguns costumes que venho observando de uns tempos para cá, não somente nas casas de origem angola-conguense, como em outras denominações do candomblé. Costumes estes que, no meu entendimento, enriquecem os nosso cultos e se tornam um diferencial motivador para que possamos galgar degraus de elevação dentro de nossas Casas, à medida que ficamos mais velhos, tanto em nossa idade cronológica de nascimento, quanto em nossa idade de renascimento para a “Vida de Santo”. Fugir destas práticas e hábitos, me deixa uma sensação de colocar a carroça na frente dos burros, sem um fundamento que justifique isto.
O candomblé, independentemente de qual seja a Nação, é uma religião iniciática, que pauta e valoriza em seus costumes o princípio da hierarquização dos diversos postos existentes em cada família religiosa, além de se caracterizar como uma religião que, milenarmente, transmite, através dos detentores dos conhecimentos, os fundamentos através da oralidade, quer sejam eles os mais basilares, até os mais complexos. Uma outra característica é quanto aos mistérios e magias que estão nos seios de nossos rituais, praticados em nossas casas, sem contar o encanto, beleza e esplendor que são gerados pelos nossos Minkisi e, como tal, não empolgam somente os membros de cada Roça, mas também incentivam, a cada dia, milhares de pessoas que circulam no mundo profano que, maravilhadas por este clima grandioso, buscam seus engajamentos nestas casas, tornando-se membros efetivos das Roças-de-Santo junto com outros milhares de companheiros de nossa religião, com o objetivo final de serem iniciados nestes mistérios e mundo dos deuses do panteão afro-brasileiro.
O aumento do número de pessoas que a cada ano passam a integrar os quadros das diversas Roças, se faz independentemente dos novos adeptos serem ou não descendentes de nossos irmãos do continente africano. São admitidas no seio de nossas Casas-de-Santo pessoas de qualquer raça, de várias camadas sócio-econômicas, de credo religioso anterior que possuem dogmas diferentes dos nossos, de estados civis variados, sem limite de idade cronológica e de ambos os sexos. Devido a isto, temos que ter consciência e sermos flexíveis para o entendimento de que muitos destes, trazem consigo, vícios comportamentais, que no mundo profano ou no seio de outras religiões possam ser considerados normais, mas que se comparados aos nossos costumes e rituais, constituem-se em verdadeiros antagonismos aos conceitos básicos que fundamentam nossa religião.
Apesar de nossas cerimônias, quer sejam públicas ou reservadas, serem normalmente revestidas de um clima alegre, principalmente pela beleza dos cânticos que contam parte da história e estória de nossos antepassados e deuses, merecem por parte de todos um elevado grau de seriedade e comprometimento, sem contar a dedicação necessária para a eterna busca responsável do saber acerca dos mistérios que envolvem nossos ritos.
Desde a condição de neófito que o integrante de uma Casa-de-Santo adquiri no momento de sua admissão na sua nova família espiritual, passando pela sua iniciação e aprendizado a cada ano que completa aniversário como iniciado, até a possibilidade de assumir postos mais elevados dentro desta hierarquia, é necessário que o adepto do candomblé tenha a consciência de que é necessário ser um bom filho-de-santo e que esta condição será eterna, pois por mais velhos que sejamos comparativamente a data de nossa iniciação, sempre seremos um munzenza para o nosso Nkisi. E durante todo esse eterno tempo de aprendizado é necessário o verdadeiro entendimento sobre os costumes, hábitos, responsabilidades e deveres que a nós são impetrados por força de nossos fundamentos religiosos.
Desta forma, a tônica encontrada nos seios das casas de candomblé de que os mais velhos sempre têm razão, poderia eu dizer que está certo em quase sua totalidade. Fato que podemos compreender bastante bem quando reunimos alguns anos de iniciado. Identicamente a frase de que “um bom filho ou filha será um bom pai ou mãe”, tem toda a minha apreciação e aprovação. Quem não deu valor e nem passou pelos “sacrifícios do período de munzenza”, com certeza não saberá dar valor ao período como Kota.
Antes de se poder falar em hierarquia, costumes, posturas e hábitos no centro das comunidades candomblecistas, temos que mais do que entender, sentir o real significado do que é “SER FEITO PARA O SANTO”.
É saber entender a religiosidade do ato em si, onde a parte divina existente dentro de todos nós floresce libertando o nosso ancestre num perfeita harmonia conosco, estabelecendo uma comunhão espiritual perfeita, capaz de nos revelar as belezas da natureza, capaz de nos fazer entender a importância de nos conduzirmos com retilinidade na vida espiritual e civil, capaz de nos mostrar o valor que possui os nossos semelhantes, capaz de nos dar dimensão do grau de importância da Raiz onde fomos iniciados e nossa obrigação em defendê-la sempre e continuamente, capaz de nos mostrar que somos uma criatura com semelhança do Criador e, finalmente, capaz de nos revelar o quanto somos importantes no mundo que habitamos e quanto poderemos ser importantes no mundo que habitaremos após a nossa morte, quando assumiremos outras responsabilidades, inclusive com os nossos descendentes.
Se conseguirmos atingir tais entendimentos e sentimentos, aí sim, poderemos dizer que FOMOS FEITOS COMPLETAMENTE e que nossa parte foi feita a contendo. Aí poderemos ter a certeza que atingimos os objetivos de se FAZER O SANTO, ou seja, conseguiremos manter perpetuados honrosamente a memória ancestral e estaremos renascidos como pessoas mais energizadas, melhores como seres humanos, fortes para enfrentar as adversidades do dia-a-dia de forma segura e com tenacidade e sempre em busca do sucesso e das realizações pessoais e espirituais, não se excetuando, obviamente, o foco na necessidade de manter o espírito de solidariedade e ajuda ao próximo, quer seja ele de nossa irmandade, quer seja ele fora do nosso ciclo religioso.
Entender o propósito dos costumes e posturas adequadas de uma casa-de-santo e conhecer a si mesmo e a importância de ser um iniciado. É ter bem definido o seu propósito de saber que você é e o que representa para sua família espiritual. É saber de onde você se originou no mundo profano e onde você está e onde você irá chegar no seu mundo religioso, pois estas questões não nasceram dentro das Casas de Candomblé aqui no Brasil, mas sempre foram os pilares de sustentação das sociedades religiosas de nossa Mãe África, onde nossos ancestres sempre denotaram e manifestaram suas vontades de estarem o mais próximos da natureza e de seus ancestrais e como estes servem de intermediários entre nós e o Deus Supremo. Sem contar a incessante vontade de melhor entender o que seja o Criador e seus poderes; de entender como nosso mundo foi criado e quais os princípios que o regem em relação ao mundo espiritual. Com certeza esses entendimentos nos ajudam, sobremaneira, a entender, mas claramente a importância da hierarquia, posturas e costumes na vida cotidiana de uma Casa de Candomblé.
Por todas estas questões é que, nós seres humanos, no propósito de perpetuar e divulgar o quanto é belo fui o momento da divinização de nossos Minkisi, é que criamos os rituais que transformaram a RELIGIÃO CANDOMBLÉ numa religião de características iniciáticas e secretas, com o objetivo de que nossos Deuses, que habitam o nosso ser interior, surja manifestado como um ancestre divino que o é. Daí, como toda instituição que é regida por sistemas piramidais, surge as matrizes hierárquicas, onde as diversas camadas desta entidade se distinguem e diferem através de postos assumidos e as respectivas responsabilidades, deveres e competências de cada indivíduo, surgindo, daí, os títulos, cargos, formas de compensação (não financeira), diferenças no modo de se vestir, limites de autoridades, prerrogativas de direito, etc.
Retorno um pouco ao início de meus comentários, por que não será possível entendermos e aceitarmos a importância da hierarquia, dos costumes a serem seguidos e as posturas a serem assumidas, se no momento de nossas iniciações nada disso for ensinado de forma espontânea e sem obrigatoriedades (de forma natural) e, por sua feita, sem que possamos compreender e apreender todo esse significado. Infelizmente, tenha observado em algumas de nossas casas co-irmãs do culto Angola-Congo, a iniciação de pessoas que ficam recolhidas por períodos extremamente pequenos, fugindo aos preceitos básicos que nos ensinou os mais velhos e Kimbandas e Sobas do continente africano, quando nestas ocasiões, já se começa a perder a oportunidade de demonstrar essa importância, dando um exemplo inadequado do que seja uma verdadeira iniciação e seus significados.
Um outro ponto que ao meu ver dificulta o entendimento sobre a importância da hierarquia, costumes e posturas é que na Mãe África, o culto religioso se mistura rotineiramente com a vida civil e este primeiro é realizado no seio das famílias consangüíneas, onde o respeito ao mais velho é uma tônica evidente e um estímulo para que os mais novos perseguiam os caminhos do respeito para que, um dia, também se tornem um “Velho Respeitado”. Já no Brasil, a prática é bem diferente, onde a iniciação dos adeptos do candomblé não obedecem à linhagem de família consangüínea, salvo algumas raízes, que mesmo aceitando pessoas estranhas aos laços de família civil, ainda, assim, respeitam a forma de perpetuar a hierarquia dando posse aos cargos mais elevados e de direção, somente aos parentes desta família civil.
Retomo o momento da iniciação como sendo o primeiro período onde começa a ficar definido a importância dos costumes, hábitos, posturas a serem assumidas, pois no período de recolhimento, o qual não deixa de ser uma alusão ao período de gestação, nos é mostrado o quão sublime é esta hierarquia. Nos é mostrado o quanto somos dependentes e carentes de ensinamentos, carinho e orientações. É neste período que começamos a entender de onde viemos, onde estamos, para onde estamos caminhando e o porque estamos indo e para que direção. Parece-me que neste momento a tão necessária hierarquia se torna bem clara, assim como os costumes e posturas que devemos assumir, lembrando, sempre, só teremos um bom ensinamento nas mãos daqueles que nos criam e que foram muito bem criados, pois não se pode dar aquilo que não se tem.
O período de iniciação é tão importante para que entendamos o significado da hierarquia, costumes e posturas, que é nele onde o neófito começa a dar os seus primeiros passos para o entendimento do que é a Mãe Natureza no seu sentido religioso. É nele que o postulante ao cargo de Munzenza começa a aprender os princípios basilares de nossos Minkisi e de Nzambiapongo. É neste período que começamos a entender e aprender os “Ingorossis” de nossa Raiz, os seus costumes, os princípios que regem nossa família espiritual, quem são as dignidades dessa família/raiz, as formas adequadas quanto às condutas de comportamento perante aos irmãos e visitantes, quer sejam no dia-a-dia ou em dias de festividades públicas e internas. É neste período é que começamos a ter os primeiros contatos e conhecimentos sobre quais as características e particularidades de cada um de nossos Deuses e as respectivas “kijilas”. É neste período que começamos a aprender quais os costumes e procedimentos que devem ser evitados sob qualquer pretexto, com vistas a evitar a desarmonia e a quebra dos costumes religiosos que distinguem nossa Raiz e que a fazem majestosa.
Um alerta quanto a tudo comentado até agora deve ser feito, principalmente que se opta por abraçar o culto dos Minkisi como nossa religião. Obviamente quando começamos a participar de uma comunidade, a exemplo do que são as Casas de Candomblé, onde, indiscutivelmente existem regras claras e bem definidas quanto modelo hierárquico, seus costumes, valores e posturas que têm de ser assumidas, tudo isso nos remete a mudança de algumas posições pessoais que adquirimos ao longo de nossa vida civil, o que não podemos desprezar como sendo difícil, além do que todas mudanças, salvam raros exemplos, sempre trazem sentimentos de receio do desconhecido e ansiedades, angústias, impotências e vontade de desistir a percorrer o nosso caminho dentro da religião. Daí, também a importância de trazermos os ensinamentos que adquirimos em nossas vidas civis, aprendidos no seio de nossas famílias consangüíneas, onde os códigos de ética, educação e respeito, são extremamente importantes e que ajudarão no entendimento do que seja hierarquia sadia, posturas sadias e costumes sadios, eliminando obstáculos, mudando paradigmas e sabendo aceitar que nem sempre o simples é menos grandioso. Ou seja, a boa condição de convivência e ensinamentos de nossos pais, ajudam ou pioram muito a forma de se conduzir no novo meio religioso do neófito.
Costumo dizer que “CANDOMBLÉ É MEIO DE VIDA E NÃO MEIO DE MORTE” e creio que cada um dos Minkisi que carregamos conosco passa a ter um papel muito importante neste momento de aprendizado na nova vida religiosa que escolhemos no momento de nossas iniciações. Eles são os verdadeiros exemplos a serem seguidos, pois a todo o momento, mesmo na condição de “DEUSES”, nos ensinam maravilhosamente bem o que é a hierarquia sem a submissão nociva, o que é a humildade com grandiosidade, o que é o respeito com a civilidade, o que é o castigo sem dor e, principalmente, o que é o verdadeiro amor sem o interesse. Vai, aí, mais uma prova de como é importante e necessário que pratiquemos e respeitemos os costumes, posturas e modelos hierárquicos que nos são transmitidos e vivenciados através dos comportamentos e histórias de nossos deuses ancestrais. Se eles como perfeitos deuses e nossos guardiões os exercitaram e vêm exercitam todos esses hábitos, inclusive quando manifestados em nossas cabeças, por que, como simples seres humanos, deveremos não praticá-los?. Não seria antagônico e contraditório?
Se verificarmos os contos, lendas, histórias, estórias sobre a criação do mundo, nas diversas versões dos povos de origem banto, vemos claramente toda essa hierarquia, formas de agir, responsabilidades, costumes, particularidades e tudo mais que, guardada as devidas proporções, ainda encontramos em nossas Casas-de-Santo e que ajudam significativamente na administração de nossos templos e das pessoas que neles convivem. Cabe lembrar, também, que através dessas lendas e contos, observamos que, muita das vezes, quando essa hierarquia, posturas e costumes eram quebrados, nossos Deuses, através de suas representatividades como caçadores, reis, ajudantes, curandeiros, etc., utilizavam-se de recursos corretivos, que podemos traduzir como castigos, guerras, sacrifícios e penalidades, tudo em nome da manutenção dos princípios que norteiam a hierarquia, posturas e costumes, que tanto questionamos em prol de algumas arrogâncias que mantemos e por medos que inventamos como escudos para as nossas incompetências e falta de humildade. Assim, por analogia, podemos concluir que se plagiarmos nossos Minkisi nos modelos que eles praticam acerca da hierarquia, posturas e costumes no seio de nossas Casas de Candomblé, estaremos demonstrando nossa fé, crença e religiosidade sobre tudo que está relacionado a eles. Obviamente que toda a fé em nossos Minkisi pode ser demonstrada de forma isolada, mas candomblé sem culto coletivo não existe e, mesmo que existisse, assim mesmo teríamos que ter postura hierárquica com o nosso Nkisi e este com o Deus Criador.
Uma outra reflexão que podemos fazer a respeito da hierarquia religiosa, seus costumes e posturas que devem ser seguidos pelos adeptos do Candomblé, é quando nos remetemos aos tempos da escravatura em nosso país. Nas senzalas podiam ser encontradas pessoas com etnias diferentes, que por uma questão de sobrevivência, deixaram de lados suas diferenças, inclusive aquelas que faziam parte de suas rivalidades tribais, como meio de sobrevivência frente ao tratamento que recebiam de seus “donos” europeus. Ali, naquele espaço físico, onde as práticas de desagregação e degeneração da espécie humana era praticada abusivamente, não se deixou de preservar a hierarquia, os costumes e posturas originárias das terras que foram o berço das civilizações.
Foi no calar da noite que as senzalas construídas no Brasil se transformavam num exemplo típico de uma nova sociedade que nascia com o respeito à hierarquia sacerdotal, mesmo quando a Igreja Católica tentava impor o evangelho cristão aos nossos irmãos negros. Foi nas senzalas que, com toda essa organização hierárquica, nasceram, ainda sem uma consciência ordenada, as primeiras Raízes do nosso Candomblé, através das irmandades de escravos existente até os dias atuais.
Foi nas senzalas que ocorreram as maiores trocas culturais da religião africana, que independentemente de serem de origem banto ou nagô, sempre pautaram em suas organizações pelos princípios hierárquicos e posturais, que foram trazidos com cada africano que aqui aportou e desses com transmissão para seus descendentes.
Saindo do campo filosófico e/ou estórico sobre a hierarquia sacerdotal, os costumes e posturas a serem assumidas pelos membros das Casas de Santo, gostaria de fazer alguns comentários relacionados à praticidade desses comportamentos a serem assumidos no dia-a-dia das Casas de Santo. Para tanto, constatamos que existe, na prática, toda uma estrutura de valores e comportamentos desempenhados nas comunidades do candomblé, que permitem a evolução e acesso de todos os seus membros a posições que variam desde a base da pirâmide até o seu topo. Assim, podemos, de uma forma simplificada, dividir esta estrutura piramidal, observada normalmente, em três grupos, que confirmam a hierarquia que muita das vezes é questionada:

1) GRUPO DOS NEÓFITOS (NDUMBE)
Aqui encontramos as pessoas que estão aguardando o momento de se iniciarem e receberem os chamados “fundamentos” de nossa religião.
2) GRUPO DOS INICIADOS (MUNZENZAS E MUNANZENZAS)
Este é o grupo das pessoas iniciadas e que estão habilitadas a começar a percorrer a longa estrada de sua vida religiosa. É neste grupo que é iniciado os primeiros passos atingindo as graduações através do cumprimento das “Obrigações de Tempo de Iniciação”.
3) GRUPO DOS MAIS GRADUADOS (KOTAS)
Este é o grupo das pessoas que possuem 7 ou mais anos de iniciados e que estão com suas “Obrigações” em dia. Nele podemos encontrar pessoas que têm ou não cargos assumidos dentro da comunidade candomblecista, ou seja, os Tatas Kimbanda, os Tatas Kambondo, as Nenguas, as Makotas e todas as suas derivações.

Como podemos constatar no dia-a-dia de nossas casas, todo essa malha hierárquica sacerdotal demanda responsabilidades individuais e coletivas, períodos de adaptação e ensinamentos, deveres, obrigações e regalias estratificadas que, por conseqüências, trazem em seus bojos, os costumes e posturas peculiares a cada posição assumida. Assim, com o objetivo de podermos fazer um comentário prática, podemos adotar, de forma didática e apenas para exemplificação, algumas posturas e costumes:
- Nossa religião não possui um “Livro Sagrado”, a exemplo de outras religiões e seitas. Tem por característica a transmissão dos ensinamentos através da prática e oralidade. Esta particularidade demonstra não haver um modelo de avaliação para aqueles que receberam os ensinamentos. Dependerá única e exclusivamente de cada um de nós o tempo para retermos as informações que nos forem dadas. Sem contar que somos conhecedores que o fator dedicação, interesse e confiabilidade são extremamente importantes para que possamos receber mais ou menos informações, haja vista que nossos rituais e fundamentos são considerados iniciáticos e secretos. Assim, podemos constatar, mais uma vez, que a condição postural é muito necessária para aqueles que desejam galgar posições hierarquicamente superiores em nossas comunidades.
- Se fizermos uma análise do período que compreende desde a condição de neófito, passando pelas fases que vão desde a iniciação até se completar o período de sete anos desta, podemos verificar que este serve para o aprendizado sobre quem são os Minkisi, suas danças e cantigas, suas lendas. Serve, ainda, para o aprendizado acerca das obrigações, deveres e responsabilidades que fazem parte do conjunto de tarefas de cada ano de iniciação. Serve para se aprender os significados sobre os diversos espaços físicos e sacralizados de uma Casa-de-Santo. Serve para aprimorar os conhecimentos sobre a genealogia da Raiz a que pertence e suas principais autoridades e dignidades. Serve para se conhecer melhor as formas e posturas assumidas no trato de nossos Minkisi e dignidades do candomblé em seus respectivos postos. Serve para o aprofundamento do conhecimento de nossos dialetos e rezas. Desta forma, vemos, mais uma vez, a importância da hierarquia e a prática constante dos costumes e posturas a serem assumidas em cada ocasião e de forma eterna.
- Uma outra demonstração de que os costumes, práticas, posturas e hierarquia se fazem presentes e necessárias em todas as instituições iniciáticas a exemplo do que é o candomblé, é a consideração que se faz ao tempo de iniciação e as “Obrigações Pagas” em seus respectivos tempos. É só observar a maneira de como nossas “Rodas” são compostas em dias de “Toque”, ou seja, os mais velhos na roda ou rodas de dentro e os mais novos na roda ou rodas de fora, obedecendo aos tempos de iniciação. Quer dizer que um munzenza com um ano de iniciado tem suas obrigações, deveres, prerrogativas, formas de se vestir e usar paramentos, forma de se dirigir às pessoas mais novas e mais velhas, como um munzenza de um ano de iniciado e assim por diante, valendo a mesma regra para os que tem 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou mais anos de iniciação.

Cabe ressaltar que um iniciado com 30 anos de iniciado, por exemplo, mas que só tenha “pago” sua “Obrigação de Três Anos”, suas obrigações, deveres, prerrogativas, formas de se vestir e usar paramentos, forma de se dirigir às pessoas mais novas e mais velhas, deverá ser de um munzenza com três anos de iniciado, mesmo tendo trinta de “feitura”. Este costume é muito comum, pelo menos nas Raízes mais antigas e mais bem organizadas, independentemente da Nação a que pertença.
- Também na prática diária de nossas Casas-de-Santo, vemos o quanto é importante à hierarquia sacerdotal, quando observamos a divisão das tarefas na administração das “Roças”, quer sejam elas domésticas ou rituais, tais como trabalhos de cozinha, limpezas do espaço físico, arrumação e separação de animais, cuidados com a indumentária própria e dos Minkisi, etc. Vemos como tônica que um Kota que não soube ou aprendeu as tarefas e costumes de Munzenza, nunca será um “Bom Mais Velho”. O que podemos observar que o mais afoitos e que queimam etapas de sua trajetória religiosa, acabam se frustrando como Kotas ou alijados de alguns processos dentro de suas próprias casas, ou não sendo reconhecidos, verdadeiramente, nas comunidades co-irmãs e, convenhamos que é muito desagradável e desabonador que um munzenza fique isolado ou não seja respeitado convenientemente em virtude de seu comportamento ou por estar desalinhado com os costumes e posturas pertinentes ao seu tempo de iniciado. Isto não descredibiliza somente a ele, mas a religião como um todo.
Ainda dentro da linha de exemplificação, muitos outros assuntos poderão ser levantados dentro da proposta lançada por mim para a reflexão e debate dos irmãos e que também fazem parte deste tema central. Senão vejamos:
a) CHEGADA NA CASA-DE-SANTO
Parece-me de bom costume que o filho-de-santo, independentemente do seu tempo de iniciado, entre na “Roça” e fique em local reservado para “Esfriar o Corpo” (exemplo: uns 15 a 20 minutos) e bebendo um pouco de água fresca. Logo depois, tomar o seu banho de asseio, seguido de banho litúrgico (variável de casa para casa) e, depois, colocar a roupa litúrgica específica para ocasião e dentro dos costumes pertinentes ao sua idade de iniciado.
Banho tomado e roupa trocada, cumprimentar ritualisticamente aos Minkisi da Casa e os locais de “Firmeza”. Feito isso, iniciam-se os cumprimentos às dignidades presentes, começando pelas mais antigas de iniciação até os de sua idade. Terminado, os mais novos do que aquele que chegou, vão cumprimentá-lo. Cabe lembrar que os cumprimentos aos mais velhos deve iniciar pelo Zelador/Zeladora da Casa.
Os cumprimentos deverão ser em conformidade com os nossos rituais, ou seja, em posição de “debulé” ou “dobale”, batendo makó, beijando a mão e solicitando que o mais velho nos abençoe na forma dialética da nossa Raiz. Atenta-se para o detalhe que não se cumprimenta seus familiares religiosos ou dignidades de outras Raízes de pé ou com a cabeça alta. Isto só é aceitável em condições igualitárias da hierarquia sacerdotal, ou seja, ndumbe com ndumbe, Munzenza com Munzenza com o mesmo tempo de iniciação e todos os tipos de Kota, com ou sem cargo, com o mesmo tempo de iniciação.
Lembrem-se que tomar a benção a um mais velho não é somente uma obrigação, mas UM DIREITO ADQUIRIDO por todos que fazem parte de uma Casa-de-Santo. O direito que temos de receber de uma pessoa mais velha de iniciação, que nos abençoe naquele momento.

b) PRESENÇA JUNTO AOS MAIS VELHOS

Não se passa entre duas pessoas mais velhas, por exemplo, quando estão conversando, sem que antes se peça licença de forma ritualística e de acordo com os costume da Raiz a que pertença, sempre de cabeça inclinada, num gesto de respeito (NÃO SUBMISSÃO).
Não se senta em condição de igualdade e na mesma altura que pessoas mais velhas de iniciação, a não ser em condições de excepcionalíssima necessidade e com a devida permissão. Lembre-se que a CADEIRA é um mobiliário que faz parte das tradições e hierarquia de nossas comunidades. Por mais presunção que seja de minha parte, o contrário também vale, ou seja, um mais velho se juntar aos mais novos de forma contumaz e corriqueira. Isso o estimulará a não compreender o que é hierarquia e quando ele estiver com o mesmo tempo de iniciação que o seu, não se sentirá prestigiado quando o mesmo acontecer com ele. Isso não é ser pedante nem ter humildade, mas saber mostrar ao mais novos, ESPONTANEAMENTE, COM EDUCAÇÃO e SIMPLICIDADE a importância de ser mais velho e que hierarquia é para ser praticada. Sentar-se à mesa com o Zelador/Zeladora, desnecessário detalhar que somente aqueles que possuem “Cargo” (e confirmados) e as dignidades que o Zelador/Zeladora convidar.
O gesto de servir alimentos e bebidas é privilégio e obrigação das filhas-de-santo que são iniciadas para Minkisi considerados como energias femininas. Munzenzas do sexo masculino, porém com Nkisi “feminino” não serve nos almoços, jantares, cafés da manhã, somente munzenzas do sexo feminino, iniciadas para Nkisi de “energia feminina”. Aos iniciados do sexo masculino deverão estar destinados os trabalhos mais pesados, com, por exemplo, as faxinas do caramanchão e terreno da Roça, a limpeza dos quartos-de-santo e todas as tarefas que necessitem de força mais bruta.
É de boa prática que copos de bebidas (água, refrigerantes, café, etc.) sejam servidos aos mais velhos ou visitantes ilustres, com um prato ou bandeja sob a base do copo, caneca, xícara, etc.
Fumar na presença de mais velhos e visitantes é terminantemente proibido. Apor cinzeiros sobre as cadeiras dos mais velhos ou dos Minkisi é ato de falta gravíssima. Dentro dos “quartos sacralizados”, entendo que não merece nem comentários a respeito.
Em dia de festividades e no momento de distribuição dos alimentos, é de bom tom que se dê preferência a que os visitantes sejam primeiramente servidos, principalmente aqueles que se destacam como dignidades comprovadas, em retribuição a honra que eles nos fizeram pelas suas presenças.
O uso de bebidas alcoólicas dentro de uma Casa-de-Santo, quer seja em dia de festividades ou não, se for utilizada, deverá ser com o máximo de moderação. Lembrar que aqueles que estão de “obrigação”, assim como os nossos Minkisi merecem o máximo de nosso respeito e, com toda certeza, bebida alcoólica não faz um bom par com Nkisi.
Se não solicitado, um irmão mais novo não tira e nem faz conclusões e nem dá opiniões em roda de irmãos mais velhos. Quantos de nós já não presenciamos ou vivenciamos situações constrangedoras a esse respeito e, em algumas ocasiões, com pessoas que não fazem parte de nossas casas?
c) IDUMENTÁRIA, ADEREÇOS, SÍMBOLOS E OBJETOS SAGRADOS.
A indumentária religiosa é um dos fatores que fazem a distinção e mostram a posição hierárquica assumida por uma pessoa dentro da Casa-de-Santo, de acordo com as tradições. Essa distinção é feita tanto em nosso país como em terras africanas. No Brasil, por questões culturais e que também foram absorvidas pelos costumes europeus, tomaram características diferentes daquelas do continente africano, mas, mesmo assim, formaram um modelo que diferenciam desde o Ndumbe até a mais alta dignidade de sua Casa.
Roupas limpas e bem passadas, são condições indiscutíveis em qualquer condição da hierarquia sacerdotal. Os homens devem estar trajados de “Roupa de Ração”, ou seja, calças amarradas com cadarço e camisas com mangas (podendo ser camiseta). Algumas casas dão preferência ao tecido do tipo morim, fustão e cretone, variando de casa para casa. O uso deste tipo de vestimenta deverá ser destinado para os rituais internos. O uso de bermudas e “shorts” não fazem parte de nossos rituais. O uso de batas deve ser destinado aos que possuem 7 ou mais anos de iniciação e com suas “Obrigações” em dia e correspondente a esta idade.
O uso de roupas coloridas não é proibitivo aos iniciados com menos de 7 anos, porém deve obedecer aos critérios da Casa que, normalmente liberam este tipo de estamparia em dias de festividades, dependendo de que tipo é este comemoração. A cor branca sempre é bem aceita em qualquer tipo de ocasião e ritual.
Quanto às mulheres, JAMAIS DEVEM USAR CALÇAS COMPRIDAS dentro da Casa-de-Santo. Os cauçolões devem estar sob as saias.
Uma Ndumbe deve usar poucas anáguas. À medida que é iniciada e vai ganhando tempo de iniciada, o número de anáguas vai aumentando.
O uso de chinelos deverá ser após ter completado e pago a “Obrigação de Três Anos”. As Kotas poderão usar sapatos com saltos e maquiagem, porém a discrição, o bom senso e o bom gosto, combinados, não fazem mal algum para escolha destes complementos, pelo contrário, tornam harmoniosa a imagem da pessoa.
O pano-de-cabeça é obrigatório para os filhos-de-santo do sexo feminino, independentemente se for de Santo Masculino ou Santo Feminino. Em conjunto com o pano-de-cabeça, indispensável o uso do pano-da-costa, que deverá estar com um laço em forma de borboleta para as iniciadas de Santo Feminino e em forma de gravata para as iniciadas de Santo Masculino.
Aos iniciados com mais de 7 anos e com “Obrigação” paga, será permitido o uso de brincos (do tipo: argolas, búzios, corais, monjolos, dependendo do Nkisi para que foi iniciada), da mesma forma a permissão para o uso de pulseiras e braceletes.
As filhas-de-santo que têm permissão para usarem a Bata, deverão estar com seus panos-da-costa colocados na altura do peito ou arrumados na altura da cintura, porém, nunca em forma de faixa enrolada na cintura, pois não é o costume certo e nem elegante para a vestimenta. A quem defenda, em casas mais antigas e tradicionais que o pano-da-costa deverá estar sobre o peito ou na cintura, quando da participação da filha-de-santo em trabalhos ritualísticos. Caso contrário, em dias de festividades, o pano-da-costa deverá estar sobre o ombro direito, caindo para frente e para trás. O pano-da-costa é uma peça do vestuário feminino indispensável para qualquer ocasião que se esteja na Roça-de-Santo ou em visita a uma outra Casa. Talvez seja ele e o pano-de-cabeça sejam as peças mais tradicionais da indumentária feminina em nossos candomblés, oriundo de terras africanas, enquanto o camisu e as anáguas fazem parte do legado dos costumes europeus.
A dixisa, tanto utilizada em nossas casas jamais devem ser arrastadas pelo chão. Sobre ela não se fuma e nem se bebe bebida alcoólica. Elas fazem parte do conjunto de objetos sagrados de nosso culto. Os membros da casa do sexo feminino devem carregar as esteiras debaixo do braço e os de sexo masculino devem carregá-las sobre o ombro. As mulheres iniciadas para Minkisi de “energia feminina” é que devem esticar as esteiras para o dobale de seus irmãos do sexo masculino. Somente em último caso que as mulheres de “santo masculino” estendem as esteiras para os seus irmãos realizarem o dobale.
Às filhas-de-santo é proibido utilizarem os atabaques para tocarem ou mesmo removê-los de seus locais. Da mesma forma a regra serve para outros instrumentos do tipo gã (ganzá), berimbau, reco-reco, xequerê, maracá e outros. Esta atividade é destinada aos Kambondos, confirmados para este fim.
Todos os filhos da Casa, independentemente do tempo de iniciado, ao passarem na frente das cadeiras dedicadas aos Minkisi, atabaques ou pessoas mais velhas, devem fazê-lo abaixando o corpo.
A formação da roda de filhos-de-santo que estarão dançando para os Minkisi deve seguir a hierarquia dos anos de iniciação e postos ocupados na Roça. Não devemos esquecer que a dança também faz parte dos nossos rituais e louvação aos nossos ancestrais, numa forma de reverenciá-los e reviver suas passagens por nossas terras. Sair da roda sem um motivo justificado denota uma falta de respeito e pouco caso com os nossos deuses.
Bem meus irmãos, acho que me empolguei demasiadamente a respeito deste assunto e me tornei prolixo, para o que peço desculpas pela extensão do texto aqui apresentado. Sei também que poderia continuar apontando outros pontos mais que por si só justificariam a necessidade de continuarmos mantendo e sustentando a defesa de que a postura e os costumes ensinados pelos nossos mais velhos e que hoje estamos abandonando em nome de uma igualdade inexistente, fazem parte das tradições afro-brasileiras e só enriquecem os nossos cultos, ao contrário de muitos de irmãos nossos que pelo Brasil afora estão confundindo educação e tradição com anarquia.
Finalmente, há que se chamar à atenção para que os mais velhos sempre tenham em mente que a hierarquia sacerdotal serve para diferenciar os tempos de iniciação, mas que jamais deverão servir aos propósitos da humilhação de seus irmãos mais novos. Que a hierarquia, posturas e costumes servem para ser utilizados entre os componentes de uma comunidade e nunca de nós para com os nossos Minkisi. Para estes, seremos sempre munzenzas, e que bom que seja assim, pois desta forma seremos sempre agraciados por suas dádivas, orientações e ensinamento".
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